Mais um nome e mais números para a sangrenta lista de jovens exterminados quase diariamente na Grande Belém foram somados quando Luiz Henrique Bezerra do Amaral, 21 anos, foi assassinado com cinco tiros na madrugada de ontem, por volta da 1h da manhã. Cinco homens desceram de um carro preto, foram até a casa aonde Luiz bebia com outros amigos, na travessa Santa Clara, no bairro do Guamá, e revistou a todos. “É esse aqui”, teriam dito antes de mais um trágico fim para a juventude paraense.
Segundo vizinhos, o jovem trabalhava com carteira assinada há algum tempo numa grande rede de supermercados. Informaram também que nenhum dos garotos que bebiam com ele jamais teve passagem pela polícia, “o que torna ainda mais intrigante o caso. Quando uma pessoa deve pra traficante ou está envolvido com roubos é fácil ao menos entendermos a razão. Mas e nesse caso?”, questionou o cabo Remédios, da 3ª Companhia, 5ª AISP, que esteve no local do crime.
Após o trabalho da perícia científica do Instituto Renato Chaves, o resultado preliminar a respeito da arma do crime aponta para uma pistola calibre 380. Inclusive, a Polícia Militar foi congratulada pela equipe da Divisão de Homicídios e da perícia criminal pelo trabalho que desenvolveram no local do crime.
Como de praxe, muitos curiosos apareceram de vários lugares para ver o corpo, mas uma ampla área de isolamento foi garantida pelos PMs, garantindo, não só a integridade da cena do crime, como um espaço adequado para o trabalho de uma equipe composta por pelo menos sete pessoas.
“Infelizmente, às vezes a gente põe a culpa nos governos para esse tipo de coisa, mas nós temos que culpar toda a sociedade por tudo isso. Ora, como podemos culpar os políticos pelos erros que eles cometem se somos nós quem votamos neles? Enquanto não mudarmos radicalmente a educação em nosso país, não vai adiantar botar tanto policial na rua, porque nós prendemos um aqui e já tem outro ali cometendo crimes. Hoje, morreu um trabalhador, amanhã morre um traficante, e enquanto isso nós não resolvemos o problema”, analisou o inspirado cabo Remédios, fazendo jus a possíveis trocadilhos.
(Diário do Pará)
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