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POLÍCIA

"Consórcio" pretendia combater policiais

O duro combate ao tráfico de drogas no município de Santa Izabel do Pará, às margens da rodovia BR-316, pela Polícia Militar, ameaçou o poderio dos traficantes que tentavam comandar a distribuição para a região a partir deste município e o resultado foi a

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O duro combate ao tráfico de drogas no município de Santa Izabel do Pará, às margens da rodovia BR-316, pela Polícia Militar, ameaçou o poderio dos traficantes que tentavam comandar a distribuição para a região a partir deste município e o resultado foi ainda mais audacioso.

Com exclusividade, o DIÁRIO teve acesso a uma carta e a gravação de um telefonema que revelam o plano criminoso para exterminar três policiais militares que combatem, sem trégua, o tráfico na região, sendo responsáveis pelo flagrante, somente neste ano, de 65 traficantes e a apreensão de mais mil petecas de maconha e cocaína.

Quando assumiu o comando da 17ª Zona de Policiamento, o capitão Josimar Leão traçou um plano para reduzir o tráfico de drogas no bairro do Jardim das Acácias, considerado o berço do tráfico de Santa Izabel do Pará. “Nós montamos uma boa equipe que foi responsável por este balanço positivo”, diz o capitão.

Ocorre que as dezenas de operações realizadas no bairro Jardim das Acácias, com apreensões de drogas e prisões de traficantes, mudaram o rumo dos “chefões” do tráfico que começaram a montar base em outras localidades, tentando disseminar a venda de drogas no varejo.
“Bairros que não tinham ocorrências de venda de entorpecente, como o bairro Novo, invasão do Café e invasão dos Bombeiros passaram a fazer parte do rol de denúncias anônimas chegadas até o comando do 12º BPM e, então, criamos a Operação ‘Gremilins’, que veio para incomodar mesmo”, afirma o oficial da 17ª ZPol.

Várias mudanças no “modus operandis” dos traficantes foram notadas nos últimos meses. “Eles mudaram as ‘bocas’ para bairros diferentes e começaram a utilizar mulheres e menores para a venda de drogas, geralmente, em esquinas e locais de grande movimentação de pessoas”, diz o cabo Douglas, responsável, juntamente com os soldados Reinaldo e Nahum, pela maioria dos flagrantes em Santa Izabel.

Um balanço do 12º Batalhão da Polícia Militar, tendo a frente o tenente coronel Dilson Júnior, revela que, no primeiro semestre deste ano, as operações de combate ao tráfico de drogas resultaram na prisão de 65 pessoas indiciadas em inquérito policial por tráfico de drogas, das quais 19 ocorrências com 31 prisões foram realizadas pela equipe do capitão Josimar Leão.

A quantidade de drogas retiradas das ruas de Santa Izabel do Pará também é significativa. De janeiro a julho deste ano, os policiais do 12 º BPM fizeram a apreensão de 820 gramas de pasta de cocaína, 170 gramas de pedra de óxi, 275 papelotes de maconha, 2.300g de maconha prensada e 746 petecas de pasta base de cocaína.

Os levantamentos do Serviço de Inteligência do Batalhão revelam ainda a retirada de circulação de várias armas de fogo que vinham sendo utilizadas em assaltos e uma dezena de motocicletas recuperadas que estão com registros de roubo ou furto.

Traficantes encomendaram morte de policiais

Desde quando a “Operação Gremilins” começou atuar nos bairros considerados redutos do tráfico de drogas em Santa Izabel do Pará, havia uma grande preocupação do comando do 12º BPM e do comando do CPR-III, em Castanhal, quanto à possível retaliação dos lideres do tráfico. A maior deles já estava cumprindo pena em presídios, mas suas “células” continuavam vivas com “gerentes” e familiares, que passaram a assumir os negócios ilícitos.

A concretização veio com a revelação de uma carta que chegou até o capitão Josimar Leão dando conta de um consórcio criminoso, que tinha como objetivo matar o cabo Douglas e os soldados Leandro, Reinaldo e Nahum, que atuam direto no combate ao tráfico, em Santa Izabel do Pará e Santo Antônio do Tauá.

O DIÁRIO, com exclusividade, teve acesso ao teor da carta, enviada por uma pessoa moradora do conjunto Edilson Abreu, denunciando que traficantes do bairro Jardim Paraíso iriam atentar contra a vida dos policiais por conta de uma operação, que resultou na apreensão de grande quantidade de drogas.

Em um trecho da carta, o denunciante diz que “há rumores que um rapaz conhecido como Wagner esteja botando preço para pegar vocês (Bomba, Damasceno e Reis) sendo 2.000, 2.000, 4.000 este último é mais visado porque ele pode acabar comigo”, diz um trecho da carta.

Esta denunciante afirma que dias atrás tentaram pegar um dos policiais militares, mas como existe uma câmera na frente da casa do policial, eles teriam desistido da ação criminosa. O tal Wagner, que teria encomendado a morte dos policiais, é conhecido como “Rei do Morro” e estaria foragido para o município de São Miguel do Guamá.
Para corroborar ainda mais com a denúncia, uma gravação telefônica de 15 minutos afirma que ouviu o plano dos traficantes para eliminar os policiais. Do bando, os lideres seriam Wagner e o traficante Marcos Antônio dos Santos, o “Bozó”, que acabou preso na semana passada com 123 petecas de cocaína.

O que mais chamou atenção foi uma mensagem encontrada no celular de “Bozó” dirigida a um homem identificado como Fábio com os seguintes dizeres: “Fabio já e pega caneta (arma de fogo) cm jailsom la no Paar e eu vou fica ti devendo só 3.800. muel taua”.

Para os policiais militares do 12º BPM, a “caneta” na linguagem criminosa é uma metralhadora, que seria utilizada para matar os policiais ameaçados de morte pelo bando de Wagner, que estariam incomodados com a ação policial de combate ao tráfico de drogas feita no Jardim Paraíso, que seria o reduto criminoso de Wagner e “Bozó”.

Marcos Antônio dos Santos, o “Bozó” era um traficante campeão de denúncias ao telefone 181 da Polícia Civil no município de Santa Izabel do Pará. Em uma das denúncias foi relatado que o traficante teria sido detido várias vezes por policiais civis e “acertou” para não ser levado a delegacia.

O capitão Josimar Leão está de viagem marcada para Brasília, onde vai realizar um curso de três meses. Em seu lugar assume o capitão Alfeu, que promete continuar o trabalho de combate ao tráfico na região com apoio do comandante do batalhão tenente coronel Dilson Júnior e do comandante do CPR III tenente coronel Sandoval Bittencourt, que apóiam as ações contra o crime organizado que tentava se instalar na região.

(Diário do Pará)

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