No final da noite do último domingo ocorreu um fato que pode ser considerado um “prato cheio” para os mais supersticiosos, para quem acredita em destino, que “tudo que Deus faz é bom”, etc. Um adolescente de 17 anos, que havia roubado um carro do tipo Peugeot, cor prata, na semana passada, guardou o carro por uma semana na casa dele, em Marituba. Até que ele conseguiu vender o step do carro para botar gasolina e finalmente ir entregar o carro para vender as peças. Mas acabou sofrendo um acidente na avenida Centenário, e, por conta disso, acabou sendo apreendido pela polícia.
Na verdade, essa não foi a única coincidência da noite, e sim a primeira de várias. O acidente aconteceu porque o adolescente dirigia em alta velocidade, e se assustou ao ver uma viatura passar pela mão contrária da avenida. Em seguida, ele chocou-se com a traseira de um carro do mesmo tipo e mesma cor, e acabou derrapando e batendo nas barras de proteção dos dois lados da pista. Por acaso (ou não), o soldado Silva Souza, da 3ª Companhia, 19ª AISP, 6º BPM, passava pelo local, quando já havia largado o serviço, e resolveu parar, porque o carro acidentado estava destruído. Com a mesma preocupação, o motorista do outro Peugeot voltou. “Fiquei com medo de ter uma família toda mal, lá”, confessou.
Logo em seguida chegou o apoio de policiais militares do 1º BPM, 4ªCIA, que averiguaram a situação do carro via CIOP e constaram que o carro era legal (mesmo sem estar), mas também “por acaso” vinha passando uma viatura do Detran, que iria cuidar de outra ocorrência, mas resolveu parar devido ao estado do carro. Foram eles que conseguiram o contato da verdadeira dona do carro, que contou que ele havia sido roubado na travessa 14 de Março, esquina com João Balbi, às 4h da madrugada do outro domingo, por um adolescente que usou apenas a intimidação contra a motorista, sem precisar de arma. Foi assim que, por acaso ou não, o caso de um roubo de carro foi solucionado.
MAIS COINCIDÊNCIAS
“Não é preconceito, mas ele [o adolescente] não tinha cara de quem podia ter um carro daqueles”, entregou o motorista do outro Peugeot, que acabou servindo de testemunha para o caso. O adolescente que saiu praticamente ileso do acidente que deixou o carro com dois eixos destruídos e as laterais bem amassadas, começou a fingir que desmaiava, segundo os avaliação dos enfermeiros do Samu que prestavam socorro a ele. “Ele não tem nada”, diziam.
A maior preocupação do adolescente, após o acidente, era pegar um iphone que se encontrava no porta-malas do carro. Mas a essa altura os policiais já estavam desconfiados, e disseram que ele poderia levar o celular desde que digitasse a senha. Mas nesse momento ele acabou fingindo outro desmaio. O iphone só foi destravado instantes depois, quando a verdadeira dona chegou.
As autoridades ficaram ainda mais desconfiadas quando ligaram para a mãe do garoto e disseram que era para ela se dirigir ao local. “Que ônibus eu pego para ir praí?”, ela teria questionado, não aparentando ter o padrão de vida compatível com o patrimônio. Cerca de meia hora depois a família chegou ao local do acidente de taxi, “coincidentemente” ao mesmo tempo em que o adolescente foi trazido de volta depois de passar pelo Pronto-Socorro da 14 de Março - a mesma travessa aonde ele havia roubado o carro. A essa altura já estavam os lados opostos do mesmo crime: familiares e amigos do adolescente, bastante envergonhados, e amigos da vítima, bastante revoltados. “A intenção dele era vender as peças para comprar uma moto, mas ele acabou batendo”, resumiu o tenente Ádamus Vasconcelos. Não por acaso, o adolescente foi encaminhado à DATA.
(Diário do Pará)
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