Mais de dois meses após a morte do garoto Kelvys Simão dos Santos, de 2 anos, que teria acordado durante o próprio velório, o caso ainda é repercutido no âmbito da saúde pública em Belém. Depois da divulgação do laudo pericial, que provou a inveracidade do relato de familiares, seguido do encerramento do inquérito policial, ontem foi a vez de representantes do Hospital Abelardo Santos, em Icoaraci, se manifestarem a respeito do resultado.
“Queremos certificar e fortalecer o resultado do laudo. O caso teve repercussão negativa para o hospital. Tivemos problemas sérios com médicos que precisaram contratar advogados para se defender, que tiveram sua imagem prejudicada. Temos uma equipe coesa, mas se instalou um estigma no hospital de que tudo de ruim acontece aqui. Fazemos diversas coisas boas e ninguém fala nada”, criticou Vera Cecim, diretora da unidade.
O médico Wagner Andrade, convocado à coletiva de imprensa, também sustentou a opinião da diretora. “Foi um caso que denegriu a instituição. Queremos dar satisfação à sociedade com a prova de que estávamos certos, e que não houve erro médico, como o próprio laudo divulgou”.
Aproveitando a oportunidade a diretora ratificou que desde outubro de 2011 o hospital conta com uma ouvidoria, capaz de atender reclamações semelhantes. “Acho que antes de procurar a imprensa ou fazer afirmações, as pessoas que se sentirem lesadas devem nos procurar para saber o que ocorreu. Atendemos aproximadamente 500 pessoas por dia, somente na urgência e emergência e a maioria é devido à falta de cuidados na assistência básica, com doenças crônicas não controladas, como hipertensão, diabetes e insuficiência renal”, diz.
Ao ser questionada, contudo, se o destino de Kelvys poderia ser diferente caso ele tivesse chegado ao hospital antes, ela preferiu não opinar. “Não podemos afirmar se ele se salvaria, é difícil prever. Mas quando ele foi à unidade de Cotijuba, dois dias antes do falecimento, a médica o orientou a vir o mais rápido possível a Belém. Infelizmente as condições financeiras, pelo que sabemos, não permitiram”, lembrou a diretora.
O CASO
Dias depois do falecimento de Kelvys, em junho, o agricultor Antônio Carlos Freitas dos Santos afirmou que houve erro na avaliação do filho, que teria sido submetido a excessivas aplicações de aerossol, tendo, consequentemente, uma parada respiratória. No velório, familiares e cerca de 10 pessoas presentes teriam visto o menino acordando e pedindo água.
A Polícia Civil abriu um inquérito para analisar o caso e solicitou a exumação do corpo da criança. Segundo o laudo, a criança morreu no Hospital Aberlardo Santos, em Icoaraci, às 19h40 do dia 1º de junho, em decorrência de insuficiência respiratória, desidratação e broncopneumonia. Ainda de acordo com o resultado das investigações, Kelvys não levantou do caixão durante o velório e nem pediu água.
(Diário do Pará)
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