Sob a mesa, um corpo de um homem estirado no chão com marcas de balas na cabeça. Sobre a mesa, garrafas de cerveja, cigarros e um cachimbo para fumar crack. Foi nesse cenário que o autônomo Lenildo Claudio Vilhena Correa, 37 anos, foi encontrado pela esposa, dentro da própria casa, na madrugada de ontem, no bairro do Guamá, em Belém. Segunda ela, a vítima teria passado a noite toda consumido drogas ao lado de um colega conhecido apenas como “Neném” e após uma discussão, um tiro foi ouvido no local. “Eu não estava na hora, apenas ouvi os disparos. E quando vi, meu marido já estava morto. Mas tenho certeza que foi o Neném”, revelou a mulher.
O crime ocorreu em um imóvel de madeira, de apenas dois cômodos, localizado na passagem Albi Miranda, entre as passagens São Cristovão e Santa Lúcia. Vizinhos revelaram que após os disparos o autor do crime ainda foi visto tentando arrombar um portão de madeira, que dá acesso para a rua. “Não posso afirmar se foi ou não foi o Neném. Mas eu o vi, saindo correndo da casa logo após os disparos”, afirmou um vizinho da vítima, que prefere manter o anonimato.
Segundo os policiais militares da 3ª Companhia do 2º BPM, Lenildo era parceiro do homem apontado como autor do crime e os dois costumavam consumir drogas diariamente na casa da vítima. “O que a gente sabe até agora é que tanto o Lenildo como o ‘Neném’ eram viciados e que era comum eles consumirem entorpecentes juntos. Agora em relação ao motivo do homicídio, as coisas não estão claras assim”, relatou o tenente PM Rômulo, da viatura 9425, responsável pela segurança da cena do crime.
De acordo com o tenente existem duas versões para o crime. “A mulher da vítima afirma que o Lenildo foi morto porque o Neném desconfiava que estava sendo traído pelo colega. Uma traição que envolvia o Lenildo com a mulher do Neném. Já o irmão da vítima, afirma que o crime foi motivado por um acerto de contas envolvendo dívidas com drogas”, explicou o PM.
Policiais civis da Divisão de Homicídios, sob o comando da delegada Claudia Renata Guedes e peritos do Instituto Renato Chaves estiveram no local para os primeiros levantamentos do crime, mas evitaram dar maiores detalhes à imprensa. Segundo os investigadores da DH, ainda é cedo para fazer qualquer afirmação sobre o caso, mas as linhas de acerto de contas e crime passional não serão descartadas.
ACERTO DE CONTAS
Durante o registro do homicídio na sede da Unidade Integrada Pró-Paz (Uipp), no bairro da Terra Firme, a versão que prevaleceu foi a do irmão da vítima. No documento, Lenilson Claudio Vilhena afirma que o irmão morreu em decorrência de uma dívida com trafico de drogas, que teria sido cobrado pelo homem conhecido por “Neném”.
O caso foi registrado pela delegada Claudia Eli Oliveira. A polícia continua as buscas ao principal suspeito, que permanece foragido desde a madrugada de ontem.
(Diário do Pará)
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