Medo, tensão e covardia fizeram parte de um assalto em que um casal de idosos e o genro deles foram mantidos como reféns por sete criminosos armados, na madrugada de ontem, dentro da própria residência, na Rua Salvador, do Conjunto Maréx, bairro de Val-de-Cans, em Belém. Durante a negociação, no interior da residência, os criminosos consumiam whisky e cerveja, com direito a tira gosto e até rasgaram notas de dinheiro. Uma “festa”que após duas horas de negociação, acabou com os sete na cadeia.
Usando três armas, dois revólveres calibre 38 e um 32, todos municiados e um táxi roubado, Fernando Lima, 27, Kleber Conceição Santos, 18, Alex Ferreira, 18, Andrei Soares Barros, 22, Cibérlio da Silva Monteiro, 25, Paulo Ricardo da Silva, 23 e Mário Junior da Silva, 18, promoveram o verdadeiro terror na casa da família.
Segundo informações da polícia, os sete aproveitaram um descuido do genro do casal de idosos, que chegava de carro no início da madrugada, para invadirem a residência. Quando entraram, uma “farra” foi feita dentro do local. Um morador da rua viu o momento em que os bandidos entraram e a Polícia Militar foi chamada.
Foi feito um cerco na residência e a área foi isolada por várias viaturas, inclusive da Ronda Tática Metropolitana (Rotam), acionadas para dar apoio e uma tensa negociação começou.
O tenente da PM Antônio Batista, da 1ª Companhia, pertencente ao 1º Batalhão de Polícia Militar (BPM), foi quem comandou as negociações com os assaltantes, que a todo instante mantinham as três vítimas sob a mira das armas. “De imediato, eles solicitaram a presença da imprensa, queriam coletes à prova de balas e a presença de familiares. Foram as exigências de praxe, que eles sempre fazem”, afirmou.
MUITA DA “BIRITA”
O assaltante que conversava com o tenente era Paulo Ricardo. Após uma hora de negociação, com o acordo da entrega de dois coletes e a liberação de um refém, a aposentada Odalva Machado, 74, foi liberada. Às 2h15, ela saiu da casa e, por sofrer de problemas cardíacos, foi receber atendimentos médicos em uma ambulância de Resgate do Corpo de Bombeiros, acionada para o local.
Cinco minutos depois, o marido dela, Mário Machado, de mesma idade, foi liberado e também foi conduzido à ambulância. Ele contou que os assaltantes acordaram, ele e a esposa, anunciando o assalto.
“Eu estava dormindo com a minha mulher quando os sete bandidos, uns três armados, entraram no quarto e nos acordaram, apontando a arma, gritando. Foi terrível. Isto nunca havia acontecido conosco. Eles ficaram todo tempo nos ameaçando e pegaram várias latinhas de cerveja, garrafas de whisky e ficaram bêbados lá dentro. Rasgaram notas de dinheiro, tinha até tira gosto. Era uma ‘farra’ enquanto eles ‘limpavam’ a casa”, alegou.
A negociação continuou e após trinta minutos, com a chegada de familiares de alguns dois assaltantes, o genro do casal de idosos, Edvaldo Almeida, 44, foi liberado, no momento em que os assaltantes também se entregaram. Foi quando a situação foi controlada, às 2h45.
“Eles ficaram me seguindo. Cheguei aqui em frente de casa e vi um táxi dando voltas e por aqui. Depois que entrei eles pararam e invadiram a casa, três armados”, disse Edvaldo.
As armas foram colocadas no chão e três viaturas da PM, posicionadas em frente à residência, abrigaram os assaltantes para serem conduzidos para a Central de Flagrantes da Seccional Urbana de São Braz. Eles seriam indiciados pelos crimes de roubo qualificado, porte ilegal de armas, formação de quadrilha e cárcere privado.
Mário Junior conversou com a imprensa e falou que teria pedido desculpas ao casal. “Eu pedi desculpas, a gente só queria a grana e ir embora. Um revólver calibre 38 era meu. Agora um 3 2 encontramos na casa”, disse.
REVOLTA
Os moradores do local ficaram indignados com a situação e alguns chegaram a dar tapas e chutes em dois dos criminosos, no momento em que eles eram colocados nas viaturas da PM. Um deles contou que, recentemente, a casa ao lado foi alvo de pelo menos dois dos sete criminosos que fizeram o casal refém.
“Há dois meses dois destes assaltantes que estavam aí arrombaram a casa ao lado e fizeram uma limpeza. Levaram tudo, nos prenderam no banheiro e fugiram”, falou uma moradora que não teve o nome revelado para preservar sua integridade física.
De acordo com tenente da PM Antônio Batista, rondas ostensivas tem sido realizadas no entorno do conjunto, devido ao alto índice de arrombamentos e assaltos que estão sendo cometidos na área.
O VEÍCULO USADO
O táxi usado pelos sete no assalto foi roubado na Av. Pedro Álvares Cabral, bairro da Sacramenta. O taxista foi localizado e contou que dois homens o abordaram por volta de 22h da noite de quarta-feira.
“Eu fui abordado por dois bandidos e eles me deixaram dentro de um campo no final da Passagem Mirandinha, junto de alguns bandidos. Levaram todos os meus documentos e dinheiro. Outros entraram no carro e fugiram. Fiquei lá, no escuro, com um pano no rosto. Depois de um tempo, ouvi uma voz dizendo que a parada ‘sujou’. Foi aí que me soltaram e me mandaram ir embora”, disse o taxista que pediu para não se identificado.
(Diário do Pará)
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