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POLÍCIA

Aretha nega ser mandante do crime e acusa namorado

Após quase dez anos, a sociedade brasileira constatou mais um episódio de como a ambição aliada à frieza de um ser humano pode mexer tanto com o psicológico ao ponto de planejar passo a passo como obter, a qualquer custo, dinheiro, bens e até mesmo poder

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Após quase dez anos, a sociedade brasileira constatou mais um episódio de como a ambição aliada à frieza de um ser humano pode mexer tanto com o psicológico ao ponto de planejar passo a passo como obter, a qualquer custo, dinheiro, bens e até mesmo poder alheio. O fato de Aretha Caroline Correa Sales, 22, acusada de ser a mandante do assassinato da própria mãe, Maria Odineia Correa, no dia 28 de julho deste ano, se assemelha ao caso de Suzane Von Richthofen, também acusada de mandar matar os pais, em 2002, no Estado de São Paulo.

A semelhança entre os dois casos está em vários aspectos. Em ambos os fatos, a morte dos genitores, pais de Suzane e a mãe de Aretha, se deu por dois motivos: o impedimento de um namoro, Aretha com Raphael de Souza Silva, 29, e de Suzane com Daniel Cravinhos, e o desejo incontrolável de tomar posse precocemente de uma herança, que mesmo sendo as únicas herdeiras de todo o patrimônio que Richthofen e Correa possuíam, as jovens não se contentavam em esperar o momento certo. Elas foram com “sede ao pote” antecipando cruelmente a ocasião.

A forma em que os pais foram mortos também é parecida. Todo o carinho e dedicação que os pais oferecem para os filhos se transformaram em dor e tormento nos episódios nacionais. O casal Richthofen foi golpeado com barras de ferro até a morte. Já Maria, servidora da Fundação de Telecomunicações do Pará (Funtelpa) foi espancada e esfaqueada nove vezes.

Com certeza Maria Odinéia, Manfred e Marísia Von Richthofen, nunca imaginariam que a única filha poderia ser cúmplice e até mesmo capaz de planejar o assassinato dos pais.

FALSO ASSALTO E AGIOTA

Do outro lado do país, longe da capital paulista, a cena se repetiu. Para que o crime fosse executado sem que ninguém desconfiasse dos verdadeiros criminosos, assim como fez Suzane, Aretha simulou um assalto na residência, localizada da rua Tavares Bastos, no bairro da Marambaia, em Belém.De acordo com as investigações baseadas em depoimentos, o namorado de Aretha teria contratado Carlos Alexandre Duarte, 18 anos, o “Subzero”, Rosivaldo Gemaque de Lima, 18 anos, o “Zeti”, para executarem o crime. Segundo relatos da dupla, Aretha estava envolvida no plano, pois teria participado de pelo menos três encontros do grupo em festas em Belém, onde minunciosamente combinaram como tudo iria acontecer.

Quando a morte de Maria foi concretizada, a jovem teria dito à polícia que a mãe foi vítima de um assalto. Na ocasião teriam levado dinheiro e o celular de Aretha no suposto roubo. Além disso, a filha levantou a versão de uma alta dívida que a vítima teria com agiota, pois Maria estaria sendo ameaçada por telefonemas do falso cobrador. Tanto o assalto, quanto a agiotagem, foram informações erradas para tentar desviar as investigações.

FRIEZA NATA

Aretha estaria dentro da casa com o filho que possuí com Raphael, de oito meses no colo, e uma afilhada de Maria quando os homens entraram. “Tudo foi facilitado. A porta estava aberta e as câmeras de segurança da casa não funcionaram. Os criminosos foram diretos e com muita tranquilidade. A própria Aretha chamou a mãe para ver o que estava acontecendo. A vítima foi espancada e mal-tratada antes de ser furada”, explicou o diretor da Divisão de Homicídios, Gilvandro Furtado, que participou das investigações na parte de inteligência.De acordo com Furtado, em nenhum momento durante declaração à polícia, Aretha demonstrou alguma expressão de emoção, continuo tranquila e calma. “Frieza nata. Características da personalidade de alguém que não se altera ou demonstra qualquer emoção”, afirmou Gilvandro.

AMBIÇÃO

Uma casa considerada luxuosa avaliada em R$ 200 mil, recentemente comprada em financiamento bancário pela funcionária da Funtelpa, seguro de vida, benefícios e outros bens materiais que a vítima adquiriu saltaram aos olhos ambiciosos de Raphael e Aretha.Passados três dias da morte de Maria, ocorrida na tarde do dia 28 de julho, Aretha teria ido sozinha até a Funtelpa, onde a mãe trabalhava há 29 anos como agente administrativa. Ela foi ao Departamento de Recursos Humanos para saber sobre o pagamento do salário da mãe, quando e o que teria que fazer para receber o dinheiro. Queria também saber sobre indenização, benefícios e aposentadoria, já que a funcionária estava prestes a completar os 30 anos na profissão.

Inconformada em saber que não seria fácil colocar as mãos nos benefícios que a mãe recebia enquanto era viva, pois ela precisaria de diversos documentos, a jovem ainda teria ido ao setor financeiro em busca de facilidade, mas teria saído da empresa frustrada. “Do mesmo modo que Aretha apareceu na imprensa quando foi presa, fria e cínica, ela também veio no departamento. Ela queria saber unicamente sobre os bens da mãe.

Em nenhum momento lamentou a morte e apresentou abalo emocional”, informou um funcionário do setor.No momento mais difícil para todos aqueles que cercavam o dia a dia de Maria Odineia, amigos e alguns familiares, durante o velório, Raphael ainda teria perguntando à Aretha se a mãe havia transferido, ainda em vida, a casa para o nome do filho, mas ficou insatisfeito em saber que nada do que havia planejado aconteceu. Condenação pode variar de 20 a 30 anos de prisãoAretha Caroline Correa Sales negou o crime, porém, se condenada, poderá passar de 20 a 30 anos presa pelo crime.

Segundo a polícia, a filha foi a mandante do assassinato da própria mãe. Já Suzane Von Richthofen, há quase dez anos, confessou ter mandado matar os pais e, depois de quatro anos do crime, foi condenada a 38 anos de prisão em regime fechado e seis meses de detenção em regime semi-aberto.Dois casos bem semelhantes, quase dez anos depois. Família de classe média alta na zona Sul de São Paulo e uma mãe que se dedicava exclusivamente para a única filha em um bairro na capital paraense. Ambição e interesses mataram três pessoas, envolveram outras quatro e levaram seis para a cadeia. Mais um episódio Richthofen, agora no Pará.

Supostas ameaças de morte do namoradoQuando Aretha percebeu que o cerco havia se fechado, logo após prestar depoimento e ser apresentada à imprensa, no trajeto para realizar exame de lesão corporal no Centro de Perícias “Renato Chaves” do Instituo Médico Legal, a jovem disse estar “arrependida” de ter omitido algumas informações. Foi quando, ainda na madrugada do dia em que foi presa (22), a equipe que a conduzia para o exame retornou a Divisão para que ela prestasse novo relato.

No segundo depoimento, Aretha não continuou negando ter sido a mandante da morte da mãe e reforçou a acusação contra o namorado Raphael, o apontando como o verdadeiro planejador do crime. Porém, disse ter ciência do plano somente após tudo ter acontecido, mas não teria contado por que ela e o filho receberam ameaças de morte, caso as circunstância fossem reveladas à polícia.“Mesmo apontando para Raphael, o segundo depoimento não alterou muita coisa, apenas reforçou a participação do rapaz no plano. A avaliação pelas provas circunstanciadas nos depoimentos aponta que ela (Aretha) teve participação. Não sabemos de qual mente saiu a ideia, mas, assim como o namorado e os executores, ‘Subzero’ e ‘Zeti’, a jovem foi indiciada por homicídio qualificado”, explicou.

(Diário do Pará)

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