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POLÍCIA

Homem é assassinado com vários golpes de enxada

Na porta dos fundos um amontoado de pequenas garrafas plásticas vazias de cachaça popularmente conhecidas como “buchudinhas” eram o retrato de como fora m nos últimos anos a vida de Nivaldo Pinto da Silva, 32 anos, mais conhecido com “Junho”, que foi enco

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Na porta dos fundos um amontoado de pequenas garrafas plásticas vazias de cachaça popularmente conhecidas como “buchudinhas” eram o retrato de como fora m nos últimos anos a vida de Nivaldo Pinto da Silva, 32 anos, mais conhecido com “Junho”, que foi encontrado morto na tarde de ontem dentro da casa aonde ele morava juntamente com o padrasto, Pedro da Silva, 53 anos, localizada na rua da Paz, conjunto Jardim Nova Esperança, bairro Águas Lindas, em Ananindeua. Junho provavelmente foi morto a golpes de enxada por motiação ainda desconhecida.

No final da noite de anteontem a vítima teria sido vista pela última vez numa festa realizada no terreno da Associação dos Moradores do conjunto. Ele teria saído de lá com dois homens de identidade desconhecida e os levado até a casa dele aonde eles teriam continuado com a bebedeira. O corpo só foi achado por volta das 13h de ontem, quando os vizinhos desconfiaram do sumiço dele. Ao chegarem em frente à casa teriam ficado ainda mais preocupados ao sentir o mau cheiro, momento então que abriram a porta e depararam-se com o corpo de Junho atirado ao chão da sala com o rosto coberto por muito sangue.

Diante dos vizinhos, as marcas de um profundo golpe aparentemente desferido com um objeto cortante na testa da vítima, à altura da sobrancelha esquerda, mais outro golpe na perna e a parte frontal do rosto dele amassada. Ao lado do corpo estava uma enxada cheia de marcas de sangue. A polícia cogitou a hipótese de que os cortes teriam sido efetuados com a própria enxada, seguido de golpes com a parte posterior da ferramenta na fronte de Junho. No local do crime uma lâmina ensanguentada aparentando ser uma faca também foi recolhida pelos peritos do Instituto Evandro Chagas.

Estiveram presentes no local a diligência do cabo Monteiro, da 19ª AISP, da Polícia Militar, além de investigadores da Delegacia de Polícia do Júlia Seffer e a equipe da Divisão de Homicídios comandada pelo delegado Vicente Gomes.

BEBER PRA QUÊ?

Enquanto os peritos trabalhavam, um cachorro maltrapilho comia o resto de feijão direto na panela deixada sobre uma tábua não se sabe porquê, ao mesmo tempo em que o odor de vários sacos enormes conhecidos como Bergs repletos com materiais recicláveis se misturava ao mau cheiro do corpo em fase inicial de decomposição e do lixo. Na comunidade Jardim Nova Esperança muitas pessoas sobrevivem do pouco lucro que conseguem tirar do lixão. Naquele local do crime, cercado por miséria de todos os lados, não era difícil imaginar o porquê de tantas “buchudinhas” vazias estarem ali, como se fossem um dos poucos meios de diversão, um meio de sair dali ao menos por alguns instantes.

“Ele costumava beber, mas não mexia com ninguém”, comentou seu Pedro, que viveu com a mãe de Junho por oito anos e continuou dando abrigo a ele depois que ela veio a falecer. “Ei Coroa, me arruma um troco pra eu comprar cigarro e buchudinha”, fez o último pedido com suceso a vítima, mas não sem antes prometer encontrar-se com seu Pedro mais tarde no lixão aonde o catador passava boa parte da semana. Mas naquela noite, ao invés de exercer também o ofício de catador, Junho preferiu ir à festa. E as próximas notícias que o padrasto soube dele já foram do óbito do rapaz que ainda considerava enteado.

Na parte de fora do humilde casebre a vó e as sobrinhas da vítima choravam. Eram o retrato da tristeza de uma vida difícil que levavam, acrescida de um desfecho cruel para a vida de um ente. “Ele podia não ter uma vida muito certa, mas não mercecia isso”, resumiu uma vizinha.

(Diário do Pará)

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