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POLÍCIA

Caminhão atropela e mata estudante

O atropelamento de uma adolescente na manhã de ontem (03) na BR-316 provocou protesto e um engarrafamento de quase 10 quilômetros ao longo da rodovia. Suzane Oliveira Cordeiro de apenas 16 anos morreu atropelada na frente da Escola Estadual Juscelino Kubi

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O atropelamento de uma adolescente na manhã de ontem (03) na BR-316 provocou protesto e um engarrafamento de quase 10 quilômetros ao longo da rodovia. Suzane Oliveira Cordeiro de apenas 16 anos morreu atropelada na frente da Escola Estadual Juscelino Kubitschek, município de Marituba, por um caminhão que era conduzido por Jonas Barbosa da Costa, 38 anos.

Era mais ou menos meio dia, horário em que as turmas da manhã são liberadas diariamente. Assim como muitos dos quase 500 alunos que estudam na escola durante o período, Suzane utilizava uma única faixa de pedestre que há para o trânsito das pessoas em frente à escola, para atravessar até o outro lado da rodovia e ir embora pra casa, em Santa Bárbara. Mas ontem, infelizmente a rotina da jovem, estudante do curso subsequente técnico florestal, foi interrompida.

De acordo com testemunhas, Suzane esperou os carros pararem na faixa para poder atravessar. Um ônibus teria parado, mas o caminhão não obedeceu e, ao ultrapassar o coletivo, atingiu a menina, que morreu na hora. Jonas, condutor do veículo não prestou socorro à vítima e seguiu para a Seccional Urbana de Marituba, onde se apresentou espontaneamente.

“Fomos acionados por populares que passaram e viram o acidente. Quando chegamos ela já estava morta. Disseram que o caminhão estava vindo em alta velocidade e, ao desviar de um ônibus, teria atingido a adolescente. Ainda não sabemos o certo como tudo aconteceu”, comentou Alan Rodrigues, inspetor da Polícia Rodoviária Federal que atendeu a ocorrência.

O tio de Suzane, Dilson Pontes, foi o primeiro a chegar ao local para reconhecer o corpo da menina. A ele foram entregues a mochila cor de rosa que ela usava no momento do acidente, rasgada e todos os pertences que a vítima possuía na escola. “Uma menina cheia de sonhos e planos”, desabafou o tio ainda inconformado. Uma hora depois, os pais de Suzane chegaram para ver a filha. Sem palavras, apenas lágrimas revelavam o sentimento de dor na perda trágica e lamentável da menina.

Alguns professores e amigos de classe de Suzane também lamentaram a perda da estudante. “Hoje dei aula normalmente para a turma, desde às 7h30. Estava cursando o 4º semestre do curso técnico. Ela sempre foi uma aluna tranquila e dedicada. Nunca imaginaríamos que isso aconteceria”, chorou Mário Junior, professor de Suzane que esteve com ela nas últimas horas antes do acidente. “Ano passado ela perdeu uma irmã. Era uma boa pessoa, muito brincalhona, alegre e inocente”, lembrou ainda muito emocionado Anderson Luiz, um amigo da mesma turma que Suzane.

Jonas Barbosa da Costa, 38, se apresentou ainda ontem, espontaneamente, junto com seu advogado de defesa na Seccional Urbana de Marituba. De acordo com o delegado José Paulo de Almeida, o motorista vinha no sentido de Belém, quando a garota atravessou a rodovia inadvertidamente.

“Segundo algumas testemunhas, há informações de um possível excesso de velocidade. De qualquer forma, teremos um prazo de 30 dias para finalizar o inquérito policial instaurado para apurar o caso. Perícias no veículo e no local, assim como exame de dosagem alcoólica já foram solicitadas. Jonas foi indiciado por homicídio culposo e será liberado”, informou o delegado.

Por conta de um grande engarrafamento formado ao longo da rodovia de quase 10 quilômetros, somente após duas horas, a equipe de perícias do Instituto Médico Legal, conseguiu chegar ao local.

Revoltados, colegas da vítima bloquearam rodovia

Revoltados com a morte da menina, centenas de alunos da escola onde a garota estudava, atearam fogo em pedaços de madeira e bloquearam os dois sentidos da rodovia BR-316, causando um gigantesco congestionamento, sentido Belém-Marituba.

Os estudantes reivindicaram por segurança no trânsito. Segundo eles, quase toda semana acontece um acidente naquele perímetro e essa não foi primeira vez. Suzane já é a terceira estudante que morre vítima de atropelamento, além dos outros acidentes já registrados por eles. “Todos os dias é assim. Os condutores não respeitam a faixa de pedestre. No ano passado, duas alunas morreram aqui. Outra foi atingida e hoje vive prisioneira em uma cadeira de rodas, tudo por causa desse trânsito”, comentou a funcionária Carla Leão.

De acordo com a professora Valdísia Cardoso, por três vezes a situação da segurança no trânsito foi discutida com a Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal, DNIT, Município e Estado, mas até agora, nada foi resolvido. “Estamos lutando há dois anos pedindo às autoridades uma solução. Um fica jogando para as costas do outro. O município diz que não pode fazer nada por que é uma questão do Estado. Esse por sua vez diz que é uma questão Federal por se tratar de uma rodovia. Já a Rodoviária diz que aqui é uma zona rural e não se pode colocar passarela alguma. Enquanto fica nessa briga, muitos inocentes morrem”, revelou Cardoso.

Ainda vestidos de capa preta, representando luto e com cartazes com letreiros clamando por “Justiça”, “Quantos outros terão que morrer?” e “Até quando?” foi outra forma que os manifestantes utilizaram para chamar atenção da sociedade.

“Por que em colégios particulares é colocado passarelas, sinalização e até guardas da CTBel e aqui, como somos filhos de pobres, nada disso acontece?”, questionou um aluno. “Só por que aqui não é escola de burguês? Mas esperamos que os políticos não esqueçam que aqui também existem eleitores”, reforçou.

PASSARELA

“Manifestamos não apenas pela vida perdida, mas por toda comunidade que precisa trafegar nessa rodovia e que tem a vida prejudicada por causa do caos que está este trânsito. Queremos uma passarela. Se nosso pedido não for atendido, iremos fechar toda semana a BR-316 até resolverem o problema”, disse a aluna Barbara Moura.

A Polícia Militar da 22ª Área Integrada de Segurança pública ajudou a controlar o fogaréu e os manifestantes que reivindicaram durante mais de quatro horas.

Emocionados pela morte brutal da colega, centenas de estudantes atearam fogo em paus e bloquearam a BR-316. Congestionamento se alongou por 10 quilômetros.

Estudantes prometeram que vão protestar toda semana caso uma passarela não seja instalada no local

(Diário do Pará)

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