A estudante de 17 anos Ângela de Souza Fernandes, que residia no bairro da Cabanagem, morreu baleada, no Hospital Metropolitano, anteontem a noite. Ela foi vítima de um assalto ocorrido por volta das 19h30, em uma farmácia localizada na rodovia Augusto Montenegro, em frente ao estádio Mangueirão.
Dois homens e uma adolescente entraram no estabelecimento comercial e anunciaram um assalto, rendendo funcionários e clientes, entre os quais, estava Ângela. Os dois bandidos estavam armados de revólveres, e a jovem, desarmada. Ela porém, era a mais audaciosa e parecia comandar o trio.
Um dos marginais abordou Ângela, querendo tomar seu telefone celular. A garota teria resistido. Foi quando a mulher do grupo teria se aproximado e puxado a vítima para trás das prateleiras e lhe tomou o aparelho.
Os bandidos ao entrarem, renderam o fiscal e, logo em seguida, o sub-gerente Carlos Monteiro. Cerca de 40 telefones celulares foram roubados, além de 210 reais de um dos caixas.
A adolescente que parecia comandar o bando passou para a parte de dentro do balcão e tentou forçar a porta do cofre. Foi quando o alarme geral da farmácia disparou e isso assustou os suspeitos, que saíram correndo do local.
Foi nesse momento, já na saída, do lado de fora da farmácia, que a estudante Ângela se atracou com a jovem, querendo reaver seu telefone. Um dos ladrões então atirou nela, para que a soltasse.
Na fuga, populares agarraram a jovem, que foi entregue à PM. Seus dois comparsas escaparam, levando o material roubado. A mulher, assim que foi colocada na viatura policial passou a gritar que era menor de idade e que não podia ser presa. Os PMs confirmaram que ela era menor de 17 anos e então a levaram para a Data. Foi lá que ocorreu a comunicação da morte da estudante, baleada no assalto.
A menor de idade foi ouvida em depoimento, onde confessou sua participação direta no roubo e assumiu que fora ela que dera o tiro na estudante, matando-a.
Na Seccional da Marambaia, policiais disseram que a jovem mentiu. O diretor, o delegado Armando Mourão, após investigação de sua equipe, também teria chegado a mesma conclusão. As informações levantadas junto a testemunhas, como mototaxistas que estavam em frente da farmácia e assistiram o crime, dois funcionários da farmácia, além de imagens filmadas pelo circuito de segurança de dentro do estabelecimento, levavam a essa constatação. Os mototaxistas e os dois funcionários afirmaram que foi um dos ladrões que atirou na garota.
Pelas imagens, a menor de idade não está armada e, ao sair da farmácia, a estudante se atraca com ela, lutando pelo celular.
ACUSADOS
Mourão conseguiu também, através de testemunhas, identificar os dois ladrões. Davi e Márcio “Camarão”. “Por ser menor, ela assumiu a autoria do latrocínio, querendo proteger os comparsas”, disse Mourão. Ontem mesmo foi expedida a ordem de missão na Seccional da Marambaia, para a localização e detenção deles.
Se não for possível suas prisões, no decorrer do inquérito já instaurado ontem, serão solicitadas à Justiça, as prisões preventivas dos acusados.
O advogado da farmácia, Edson Benassuly, disse que o estabelecimento comercial está atraindo assaltantes, já que está com uma grande promoção de telefones celulares, que estão com preços menores.
(Diário do Pará)
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