A Polícia Civil do Pará divulgou neste sábado (8), os resultados da Operação "França", realizada por uma equipe do Núcleo de Inteligência Policial (NIP) no interior do Estado de São Paulo. Ontem, dia 7, foi localizado e preso, em um balneário na cidade de Ilha Solteira, o foragido da Justiça paraense, Carlos Roberto Ferreira, o "Carlão", acusado de homicídio praticado na cidade de Redenção, no último dia 23 de julho deste ano. Ele confessou ser o autor do assassinato de Antônio Ribeiro de Sousa, conhecido por "Antônio Filho". O crime aconteceu no interior da fazenda Ibiruna, localizada a cerca de oito quilômetros de Redenção, no sul do Pará
"Carlão" era, à época do crime, presidente da Associação dos Pequenos Produtores Familiares do Projeto Pedro Alcântara, que reivindica a área da fazenda. A vítima ocupava o cargo de vice-presidente da entidade. A área é conhecida como acampamento da "Curte França". O crime teria sido motivado por uma disputa interna pelo comando da Associação. Com essa prisão, já são cinco os autores de homicídios de grande repercussão no Estado presos em menos de quatro dias pela Polícia Civil.
As investigações sobre a morte de "Antônio Filho" mostraram que antes de cometer o assassinato, já no dia do crime, "Carlão" teve uma discussão com um homem identificado como José Carlos Carneiro de Sousa, que seria agricultor, em razão de discordância entre ambos quanto à demarcação de terra realizada por eles na área. Durante o bate-boca, o acusado teria agredido fisicamente José Carlos a golpes de facão. Com ferimentos pelo corpo, José Carlos foi socorrido por outros agricultores e levado para atendimento médico. Enquanto era socorrido, segundo relatos de testemunhas, o vice-presidente da Associação, Antônio Ribeiro de Sousa, teria incentivado José Carlos a ir até a Delegacia de Redenção prestar queixa contra o agressor. O fato foi apenas um pretexto para que o acusado fosse prestar contas com Antônio.
Ao tomar conhecimento da atitude de "Antônio Filho", o presidente da Associação armou-se e, ao encontrar com o adversário sacou da arma e disparou. "Juntou-se a esse fato a discussão já existente dentro da Associação quanto à divisão dos lotes da área de invasão", apurou o delegado Marcelo Delgado, titular da Delegacia de Conflitos Agrários (Deca) de Redenção, responsável pelas primeiras investigações do crime. Com os depoimentos de diversas testemunhas que presenciaram o crime, o delegado fez a representação junto à Comarca de Redenção pela prisão preventiva contra "Carlão".
A ordem de prisão foi expedida pelo Poder Judiciário da Comarca de Redenção, passando o acusado à condição de foragido da Justiça. Após o homicídio, segundo relatos testemunhais, "Carlão" teria fugido para uma região de mata e, depois de alguns dias, saído do Estado, seguindo rumo à região Sudeste do país.
Com as investigações feitas conjuntamente pela equipe da DECA de Redenção e do Núcleo de Inteligência Policial, sob coordenação do delegado Cláudio Galeno Filho, titular do NIP, foi descoberto que o foragido estava escondido no interior do Estado de São Paulo, na cidade de Votuporanga, a 520 quilômetros da capital, na região noroeste do Estado. A equipe viajou, então, no último dia 6, até o local relatado para prender o foragido.
Segundo o delegado Lúcio Flávio Filho, titular do Núcleo de Apoio à Investigação de Redenção (NAI), unidade vinculada ao NIP, os policiais civis descobriram que "Carlão" havia fugido do Pará alguns dias após o crime, escondido em um carro. Inicialmente, ele seguiu em direção à cidade de Santa Maria das Barreiras, no extremo sul do Pará, na fronteira com a região Centro-oeste do Brasil. Depois, ele atravessou de balsa para Araguacema, no Tocantins, onde familiares já o aguardavam para levar até Votuporanga. "A partir daí, foi montada uma operação, em parceria com a Polícia Civil daquele estado, para deslocar os policiais paraenses até São Paulo.
"Carlão" foi preso na cidade turística de Ilha Solteira, fronteira com o Estado do Mato Grosso do Sul, onde passava o feriado de 7 de setembro com familiares. Ouvido em depoimento, ainda na cidade paulista, o acusado confessou o crime. Agora o acusado ficará recolhido em uma casa penal de Redenção, à disposição da Justiça paraense, para ser levado a julgamento pelo Júri Popular. (Agência Pará)
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