A vida de um jovem morador de rua viciado em álcool e droga terminou com um último tropeço na manhã do último sábado (08), ao tentar atravessar a rua na rotatória do Entroncamento, que liga a avenidas Pedro Álvares Cabral à Almirante Barroso. A vítima identificada apenas pelo pré-nome Robson se desequilibrou no final da calçada e foi parar debaixo da roda do caminhão, cujo motorista Marcos Antônio, 45, alega nem ter visto sobre o que passou. O condutor ainda teria descido para tentar prestar socorro, mas teve o veículo apedrejado por amigos do morador de rua, tendo que se retirar dali às pressas.
No cenário que outrora abrigou a praça da Bíblia, antes de ser retirada para a conclusão do Complexo Viário do Entroncamento, alguns moradores de rua fizeram uma breve memória de quem era Robson. “Ele é de Mosqueiro. Morava bem na praia do Sol, mas só vivia aqui. Ele já tinha bebido algumas e ia pra feira aonde ele ajudava alguns feirantes e ganhava uns trocados”, relatou o também morador de rua Marcos Silva, 31 anos.
Logo depois, o motorista, que é paulista, foi apresentado à Seccional da Marambaia pelo subtenente Marcos Sousa, da 3ªa CIA, 1º Batalhão da Polícia Militar. “Eu estou em Belém desde a semana passada e isso nunca me aconteceu”, desabafou. O delegado Ronaldo Hélio declarou que o condutor provavelmente será indiciado por homicídio culposo – quando não há intenção de matar. “Há três circunstâncias em que avaliamos o homicídio culposo: quando há imperícia, negligência ou imprudência do motorista. A partir do trabalho da perícia e de um trabalho de investigação nós decidiremos o que fazer”, explicou o delegado.
O trânsito precisou ser desviado complicando o fluxo já tenso no local. Em casos como esse, em que a vítima não porta documento de identificação oficial, se torna complicada a retirada do corpo do Instituto Médico Legal, uma vez que para tal é necessário que pelo menos dois parentes munidos de documento requeiram o corpo para o velório. Em casos como esse o trabalho da imprensa costuma colaborar para que a pessoa não precise ser enterrada como indigente.
(Diário do Pará)
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