“Eu só estaria arrependido se eu não tivesse feito o que fiz”, disse friamente o vigilante Elinelson Cordeiro dos Santos, 25, que assassinou com cinco facadas Elson Lima da Fonseca, 32, no início da madrugada de ontem, no canteiro central do Paar, em Ananindeua. O motivo do crime foi um desentendimento deles a respeito de uma bicicleta que pertencia ao homicida confesso. A poucos metros do local do fato, uma viatura da Polícia Militar se retirava depois de a guarnição conversar com os envolvidos.
Segundo informações da polícia, a vítima havia emprestado a bicicleta, instrumento de trabalho de Elinelson, na noite do último sábado (08), mas no dia combinado da entrega, noite de domingo (09), a vítima desapareceu com a bike.
O tenente PM Marlon, da viatura 8301, da 21ª Área Integrada de Segurança Pública, (Aisp) / 6º Batalhão de Polícia Militar (BPM), relatou que a bicicleta estaria com uma terceira pessoa, que não foi localizada.
“Fomos chamados pelos dois, que discutiam na BR-316, centro de Ananindeua, a respeito da bicicleta emprestada, que sumiu. A vítima falou que ela estava com uma terceira pessoa, no canteiro central do Paar. Fomos até o local indicado com os dois na viatura, mas ela não foi encontrada. Já íamos realizar os procedimentos legais, mas ambos toparam encontrar uma solução para a situação e acompanhamos a negociação”, disse.
O acordo mortal
Após isso, segundo o tenente, os dois chegaram a entrar em um acordo financeiro. “Eles conversaram e, como a vítima estava sob responsabilidade da bicicleta, ele se propôs a pagar ao acusado o valor de R$200,00, inclusive, de duas vezes. Logo em seguida, tudo ficou aparentemente normal. Eles se cumprimentaram e depois saíram andando. Estávamos indo embora na viatura e a menos de cinco metros do local o acusado foi para cima da vítima e fomos apartar a briga. Separamos e notamos que o Elson estava ensanguentado e com pefurações de faca”, disse.
Foi dada voz de prisão em flagrante delito a Elinelson dos Santos e a faca usada no crime foi retirada das mãos dele. A vítima gravemente ferida na região do tórax foi socorrida em uma viatura da PM, para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas, em Ananindeua, mas não resistiu aos ferimentos e morreu ao dar entrada no hospital.
O vigilante noturno e a arma do crime foram levados para a Central de Flagrantes da Seccional Urbana da Cidade Nova. O delegado Luiz Mendes, de plantão na Ceflag, o autuou por crime de homicídio duplamente qualificado e poderá ficar preso por até 30 anos.
Frieza e satisfação
Muito querido pelos amigos, vizinhos e clientes, considerado como um ótimo profissional, Elenilson, ao invés de ter ido na madrugada de ontem para mais uma jornada de trabalho, estava encarcerado nas dependências da seccional e com o uniforme da empresa para a qual trabalha.
Ele conversou com o DIÁRIO e contou que a vítima estava lhe ameaçando de morte caso denunciasse a situação para a polícia.
“Eu emprestei a bicicleta para ele comprar um churrasco, mas depois sumiu. Quando o encontrei esta noite (domingo) eu já ia trabalhar e ele falou que a minha bicicleta estava no Paar. Ele falou que ia me matar se eu fosse procurar a polícia. Chamei uma viatura e fomos até lá, mas não encontramos nada”, disse.
O vigilante falou que perdeu a cabeça quando esfaqueou Elson. “Mesmo com a polícia lá perto e a gente ter acabado de negociar o prejuízo, eu não deixei assim. Ele ia me matar e me adiantei. Puxei a faca e enfiei nele. Acho que dei umas duas ou três facadas, não lembro muito bem”, falou.
Inconformado, ele alegou que não sente arrependimento algum pelo o que fez. “Ele é usuário de drogas, vagabundo, sabe?! Pegou a minha bicicleta para vender. Ele mexeu com homem e não com qualquer um. Vou ficar preso, mas estou ‘de boa’. Eu só estaria arrependido se eu não tivesse feito o que fiz, pois não me arrependo de nada que faço”, finalizou.
(Diário do Pará)
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