Dois homens presos fora do Estado do Pará, acusados de envolvimento em dois casos distintos de homicídio, foram apresentados pela Polícia Civil em entrevista coletiva na sede da Delegacia-Geral, em Belém, na manhã desta terça-feira (11). Um dos presos é Vailton Pereira Evangelista, 27 anos, envolvido na morte do delegado André Albuquerque, em Parauapebas, em 2010. O outro é Carlos Roberto Ferreira, de apelido "Carlão", autor da morte de Antônio Ribeiro de Sousa, em área de acampamento no interior de Redenção, sul do Pará, em 23 de julho deste ano.
O primeiro foi preso em Goiânia, capital de Goiás. O outro foi localizado na cidade turística de Ilha Solteira, no estado de São Paulo. As prisões foram efetuadas por policiais civis do Núcleo de Apoio à Investigação, de Redenção, vinculados ao NIP, sob coordenação do delegado Lúcio Flávio Filho. As prisões aconteceram nos dias 5 (Goiânia) e 7 (São Paulo) deste mês. Os dois foram transferidos neste final de semana para a capital paraense. Eles ficarão recolhidos em unidades do Sistema Penitenciário do Pará à disposição da Justiça.
Com apoio de policiais civis do Grupo de Pronto-Emprego (GPE), os presos foram conduzidos para a Delegacia-Geral, por volta de 10h. delegado Cláudio Galeno, diretor do Núcleo de Inteligência Policial (NIP), apresentou um relatório com os detalhes das investigações feitas para chegar à prisão de "Carlão". Ele destacou as investigações realizadas pela Delegacia de Conflitos Agrários de Redenção, que foram determinantes para a captura do acusado.
Vailton Pereira Evangelista é indiciado por envolvimento no assassinato do delegado André Albuquerque, em Parauapebas. Ele foi preso pela equipe policial no momento em que saía de sua residência, em via pública, na capital goiana. O assassinato do delegado foi em 3 de outubro de 2010, por volta de 20h30, em uma área de invasão, em Parauapebas. As investigações contaram com o deslocamento de policiais do Pará para os Estados do Maranhão, de Tocantins e de Goiás, para realizar levantamentos que possibilitaram a localização dos indiciados. As investigações continuam para localizar e prender o último integrante da quadrilha, de nome Ronaldo Rodrigues Lopes, de apelido "Rodrigo". A Polícia Civil solicita à população que, se souber do paradeiro do foragido, deve telefonar para o número 181, o Disque-Denúncia.
"CARLÃO"
Carlos Roberto Ferreira foi preso em um balneário na cidade de Ilha Solteira, em São Paulo. Conhecido como “Carlão”, ele é acusado de homicídio praticado na cidade de Redenção, no último dia 23 de julho deste ano. "Carlão" confessou ser o autor do assassinato de Antônio Ribeiro de Sousa, que era conhecido por "Antônio Filho". Crime ocorrido no interior da fazenda Ibiruna, localizada há cerca de oito quilômetros de Redenção, sul do Pará, por meio de disparo de arma de fogo. "Carlão" era, na ocasião do crime, presidente da Associação dos Pequenos Produtores Familiares do Projeto Pedro Alcântara, que reivindica a área da fazenda.
A vítima era o vice-presidente da mesma associação. A área onde o assassinato ocorreu é conhecida como acampamento da "Curte França", coordenado pela Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura). A prisão de “Carlão” é resultado da Operação "França", realizada por policiais civis do Núcleo de Inteligência Policial (NIP), no interior do Estado de São Paulo. O crime foi resultado de uma discussão por causa da disputa interna pelo comando da associação.
As investigações sobre a morte de "Antônio Filho" mostraram que antes de cometer o assassinato, já no dia do crime, "Carlão" teve uma discussão com um homem identificado como José Carlos Carneiro de Sousa, que seria agricultor, em razão de discordância entre ambos quanto à demarcação de lotes de terra, para venda ilegal, realizada por eles na área. Durante o bate-boca, o acusado teria agredido fisicamente José Carlos a golpes de facão. Com ferimentos pelo corpo, José Carlos foi socorrido por outros agricultores e levado para atendimento médico. Enquanto era socorrido, segundo relatos de testemunhas, o vice-presidente da associação, Antônio Ribeiro de Sousa, teria incentivado José Carlos a ir até a Delegacia de Redenção, para prestar queixa contra o acusado.
Ao tomar conhecimento da atitude de Antônio Filho, o presidente da associação armou-se e, ao encontrar com a vítima,, sacou a arma e disparou. "Juntou-se a esse fato, a discussão já existente dentro da associação quanto à divisão dos lotes da área de invasão", apurou o delegado Marcelo Delgado, titular da Delegacia de Conflitos Agrários (Deca), de Redenção, responsável pelas primeiras investigações do crime.
Com os depoimentos de diversas testemunhas, que presenciaram o crime, o delegado pediu à Comarca de Redenção a prisão preventiva contra "Carlão". A ordem de prisão foi expedida pelo Poder Judiciário da Comarca de Redenção, passando o acusado à condição de foragido da Justiça. Após o homicídio, segundo relatos testemunhais, "Carlão" fugiu para dentro de uma região de mata. Depois de alguns dias, ele fugiu do Estado do Pará, seguindo rumo à região sudeste do Brasil.
Com as investigações feitas de forma conjunta pela equipe da Deca de Redenção e do Núcleo de Inteligência Policial, sob coordenação do delegado Cláudio Galeno Filho, titular do NIP, foi descoberto que o foragido estava escondido no interior do Estado de São Paulo, na cidade de Votuporanga, a 520 quilômetros da capital, na região noroeste do Estado.
A equipe policial viajou, então, no último dia 6, até a cidade paulista, para prender o foragido. "Foi montada uma operação para deslocar a equipe policial paraense ao estado paulista. Assim, em parceria com a Polícia Civil Paulista, uma equipe do Núcleo de Inteligência Policial do Pará foi à Votuporanga, onde conseguiu localizar o procurado", explica. "Carlão" foi encontrado e preso na cidade turística de Ilha Solteira, fronteira com o Estado do Mato Grosso do Sul, onde passava o feriado de 7 de setembro com familiares. No momento da prisão, por volta das 10 horas da manhã de ontem, o foragido estava no interior de um balneário localizado numa praia da represa hidrelétrica do Rio Paraná.
(DOL, com informações da Agência Pará)
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