Um investigador da Polícia Civil foi preso em flagrante e quatro caminhões abarrotados de mercadoria sem nota fiscal foram apreendidos na madrugada de ontem, em vários pontos da cidade de Belém. Os milhares de produtos, dentre eles roupas, sapatos, bolsas e óculos vindos do Suriname, estavam sendo descarregados no Porto do Sal, na Cidade Velha, onde, no momento do flagrante feito por policiais civis da Divisão de Crimes Funcionais (Decrif), o investigador Duarte também foi surpreendido “fiscalizando” o material. Ainda há outros policiais envolvidos no caso.
A corregedoria da Polícia Civil recebeu denúncia anônima de que um barco vindo do Suriname estaria fazendo contrabando de produtos importados com descarregamento na baía do Guajará e policiais estariam envolvidos no descaminho dessa mercadoria. Sem muitas informações, uma equipe de policiais civis, sob o comando do diretor da Decrif, Eloi Fernandes, ficaram monitorando desde a meia-noite de ontem o local, para tentar flagrar o possível contrabando no barco.
PERSEGUIÇÃO
Por volta das 4h, assim que a embarcação chegou ao local, a equipe perseguiu três caminhões, tipo baú, que saíram carregados de mercadorias e mais uma caminhonete vermelha, não identificada, que seguia atrás. Como os veículos não tomaram o rumo que deveriam, em direção à Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe), os policiais resolveram interceptar os caminhões na avenida Magalhães Barata, bairro de Nazaré. No momento do flagrante, três veículos, dois caminhões e a caminhonete fugiram, mas logo um dos baús foi capturado na rua dos Mundurucus, mas outro caminhão e o carro vermelho levando alguns policiais, ainda não identificados, conseguiram fugir.
“FISCALIZAÇÃO”
A polícia ainda retornou ao Porto, apreendeu outros dois caminhões e deteve mais um policial civil, conhecido por IPC Duarte, lotado na Dioe, que alegou que estaria “fiscalizando” a mercadoria. Ele foi detido e encaminhado à Corregedoria Geral de Polícia, onde prestou depoimento ao delegado Marcos Vinícius e foi autuado em flagrante por contrabando. Ele responderá a processo no âmbito penal e administrativo por ser funcionário público.
Segundo o diretor da Decrif, Eloi Fernandes, “as pessoas que conduziam os caminhões-baú, disseram que foram contratadas apenas para descarregar a mercadoria na rodovia BR-316, mas não informaram quem seria o contratante, tampouco o local onde seriam entregues às mercadorias. Também não se sabe se os produtos são falsificados, porém, eles são marcados por grifes nacionais e internacionais famosas”, revelou.
Todos os quatro veículos apreendidos seriam encaminhados à Polícia Federal, onde será feita a contabilização da carga. A polícia continuará investigando o envolvimento de outros policiais e o verdadeiro dono e destino da mercadoria.
(Diário do Pará)
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