Marcos Paulo Costa Lobato, conhecido como “Marquinho”, de 22 anos, foi executado com cinco tiros, na madrugada de ontem, na Alameda Carmen, conhecida também como “Rua Zero”, no bairro do Tapanã, em Belém. Segundo informações da polícia, a vítima pode ter sido atraída por conhecidos dele e por um traficante, na chamada “casinha”, para o local onde foi morta.
“Marquinho”, de acordo com os familiares, trabalhava em pequenos serviços comunitários, capinando quintais. Ele era usuário de drogas e tomava remédios controlados por sofrer de problemas mentais. Além disso, ele já havia sido preso por crimes de furto e roubo. Os parentes de Marcos acreditam que ele foi executado por um traficante da área.
Acionada através do Centro Integrado de Operações (Ciop 190), a guarnição do sargento PM Nivaldo, da 3ªCompanhia (Cia) / 10º Batalhão de Polícia Militar (BPM) foi para o local e colheu as primeiras e escassas informações do crime.
“Aqui ninguém quer falar muito sobre o caso. Todos alegam terem medo justamente por ser uma área considerada ‘vermelha’ .A ‘lei do silêncio’ prevalece entre os moradores. Mas do pouco que foi dito, é que pelo menos quatro homens, conhecidos da vítima, teriam vindo com ele até aqui para este local e o executaram”, disse.
Diferente das poucas informações de populares repassadas para a polícia, vários moradores e curiosos se aglomeraram na cena do crime. Uns chegavam de moto, outros de bicicleta e outros mesmo a pé encaravam a lama e escuridão para ver o corpo de “Marquinho” que foi encontrado estirado de bruços na calçada de uma residência.
5 balas nas costas e duas nas nádegas
Policiais civis da Divisão de Homicídios (DH), sob o comando do delegado Lenoir Cunha, foram ao local do crime realizar o levantamento de informações que pudessem apontar uma linha de investigação para o caso. Conforme o delegado, o crime foi uma execução.
“A vítima foi atraída para este local por pessoas que ele conhecia. Eles o trouxeram para esta rua, escura, soturna e o executaram com vários tiros. Pelo o que soubemos, ele era usuário de drogas, já foi preso por roubo e furto, e devido a estes fatores acreditamos que ele foi vítima de uma execução”, explicou.
Após a perícia feita pelos peritos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, cinco tiros foram contabilizados, sendo três nas costas e dois nas nádegas. Um projétil foi encontrado próximo do corpo, mas segundo o perito Nelson Vidal, “somente um exame de balística poderá indicar qual o tipo de arma foi usada no crime”.
Populares vivem acuados pelo medo
A chamada “Rua Zero” é escura, com pouquíssima iluminação e sem estruturas básicas de saneamento. No decorrer da alameda o que se vê é lama e mato. Se de um lado existem casas, do outro existe um terreno baldio, completamente escuro, área desocupada onde funcionava o antigo clube da Petrobras.
Uma moradora, que pediu para não ser identificada, contou que a localidade é extremamente perigosa. “As crianças brincam pela manhã, mas quando chega a noite ninguém sai de dentro das suas casas. Se em noites normais ninguém sai, imagina depois de ouvir tiros. Este terreno aí em frente é usado por usuários de drogas, bandidos e nós moradores só convivemos bem por aqui porque os bandidos e traficantes nos conhecem de vista”, afirmou.
O caso foi registrado na Seccional Urbana de Icoaraci e será investigado pelo delegado Jurandir Figueiredo. (Diário do Pará)
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