Durante mais uma madrugada regada a bebidas alcoólicas e drogas, desta vez o dia não amanheceu para Floriano de Oliveira Silva, conhecido como “Flor”, de 40 anos. Ele foi morto na madrugada de ontem com dois tiros na cabeça, na Quadra 34 do Conjunto Jader Barbalho, no bairro do Aurá, em Ananindeua, a poucos metros da casa onde morava. O crime teria sido motivado porque, supostamente, ele teria presenciado há duas semanas um assalto ocorrido nas redondezas.
Os familiares dele acreditam que os criminosos que cometeram o assalto ficaram receosos de que ele os teria delatado à polícia sobre o caso, quando foi convocado para depor, como testemunha.
O cabo PM José, da viatura 8125, da 19ª Área Integrada de Segurança Pública (Aisp) / 6º Batalhão de Polícia Militar (BPM) disse que o crime pode ter sido uma queima de arquivo.
“Ele viu um caminhão de uma loja entregar uma televisão de plasma em uma casa e este caminhão foi assaltado aqui próximo da casa. Ele presenciou tudo e depois disso, foi chamado para prestar depoimento na delegacia, mas os criminosos achavam que ele teria dito algo comprometedor e começaram a ameaçá-lo de morte e acabaram vindo cumprir o que prometeram”, disse.
No local do crime, uma garrafa de bebida e um cigarro de maconha foram encontrados onde ele foi morto. No silêncio da madrugada, quebrado por mais um homicídio na base do tiro, os vizinhos que acordaram e foram ver o corpo não quiseram dar detalhes sobre o que supostamente testemunharam e alegaram “terem ouvido somente os tiros”.
A irmã da vítima, Lourdes Oliveira, lamentou a morte de “Flor” e disse que o irmão presenciava muitas situações ilícitas, mas que ele não teria coragem de “derrubar” alguém.
“Ele vivia pela rua, bebendo, com os amigos e amigas dele. Ele acabou assim por causa das más companhias que ele tinha. Ele sempre ficava madrugadas à fora por aí e via muita coisa, mas ele mesmo dizia que nunca iria contar algo para a polícia. Ele foi chamado para prestar depoimento do que viu no dia deste assalto, mas ele não delatou ninguém”, falou.
Uma equipe de policiais civis da Divisão de Homicídios (DH) foi acionada para realizar o levantamento de local de crime. O delegado Eduardo Rollo, da DH, acompanhou a perícia feita pelos peritos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves.
Segundo os peritos, pelo menos cinco tiros foram disparados, mas somente dois atingiram “Flor”, na cabeça.
(Diário do Pará)
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