O som do motor da caçamba ligado, um grito e o estalar de ossos, tudo isso em menos de 10 segundos. Resumidamente foram esses os últimos sons da vida breve de Aldel Correa Filho, de apenas 14 anos, encerrada precocemente ao ser atropelado na tarde desta sexta-feira (21), por uma caçamba na passagem Izalândia, esquina com a rua Bom Jesus, no bairro Icuí-Guajará, a menos de 30 metros de casa, aonde pretendia pegar alguns jogos de videogame para continuar a brincadeira na casa de um amigo.
O adolescente caminhava ao lado do veículo quando ele começou a dar a ré, e ao fazer a curva o motorista Ozias Antônio Gomes da Costa, 47 anos, não teria percebido o adolescente e acabou passando literalmente por cima dele.
“A gente tava jogando videogame lá em casa, e voltamos pra pegar um jogo na casa dele [a vítima]. Eu vinha do lado e só percebi quando o pneu da caçamba passou pela perna dele. Eu só tive tempo de me jogar pra não ser atingido. Quando vi ele já tava com a cabeça amassada pela roda e com a orelha sangrando. Antes disso eu ainda ouvi os ossos dele estalarem”, detalhou Matheus Pereira, 16 anos, o dono do videogame no qual a vítima brincava.
O irmão de Matheus, Israel Pereira, 14 anos, ainda teria tentado avisar o motorista sobre o amigo que começara a ficar embaixo da caçamba, depois de ouvi-lo gritar, mas não conseguiu a tempo. “Eu ainda gritei pelo nome do Adel, mas quando vi a orelha dele sangrando percebi que não tinha mais jeito”, recordou.
O motorista não chegou a descer da caçamba, e, supostamente, ao perceber-se cercado pela população revoltada teria se retirado de lá para preservar a própria integridade física.
Esteve no local a diligência sob o comando do tenente Louzeiro, do 6° BPM, que garantiram a integridade da cena do crime até a chegada dos peritos do Instituto Evandro Chagas.
COISAS DA VIDA
A caçamba pertence a uma empresa que presta serviço à Secretaria de Saneamento e Infraestrutura de Ananindeua (Sesan) na pavimentação de algumas ruas do bairro do Icuí. Dona Valdirene Correa, que esperou pela pavimentação da própria rua durante tanto tempo, saiu ontem de manhã de casa normalmente para trabalhar num restaurante, e teve que voltar para casa às pressas ao ser avisada do acidente. Aos prantos, ela chegou e foi direto para dentro de casa, provavelmente por não querer ainda enfrentar a imagem do filho com o corpo amassado, preferindo buscar forças na família e nas lembranças boas que tinha.
No local do crime, ao redor do corpo isolado pela polícia, algumas pessoas comentavam a respeito do que tinha acontecido. Alguns revoltados com o motorista, mas alguns diziam que a culpa foi mesmo dos adolescentes. “Eles não tinham nada que estar perto da caçamba. Nenhum filho meu fica na rua uma hora dessas”, comentou um cidadão, que não quis se identificar. Entretanto, o clima da maioria era mesmo de desolamento, por algo pelo o qual não adianta ficar procurando culpado.
“Tudo indica que foi um acidente sem culpados mesmo. O motorista parece não ter visto os dois adolescentes quando foi dar a ré, e ao fazer a curva acabou atropelando o garoto”, avaliou Moreira, chefe de operações da Seccional da Cidade Nova. Segundo ele, o condutor compareceu espontaneamente à Seccional e será indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Em nota, A Sesan de Ananindeua esclareceu que a caçamba envolvida no acidente pertence a uma empresa que presta serviço para a secretaria. Esclarece ainda que juntamente com a empresa está prestando assistência à família da vítima, a empresa pagará todas as despesas necessárias e a secretaria fará assistência com uma equipe de psicólogos e assistentes sociais.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar