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POLÍCIA

Mais um registro de execução no Jardim Sevilha

Mais cinco tiros certeiros fatais disparados à queima roupa. Menos uma vida em Belém. Foi assim que Thiago Silva da Silva, 18 anos, se tornou mais um jovem exterminado no início da tarde de ontem na rua principal do conjunto Jardim Sevilha, bairro Parque

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Mais cinco tiros certeiros fatais disparados à queima roupa. Menos uma vida em Belém. Foi assim que Thiago Silva da Silva, 18 anos, se tornou mais um jovem exterminado no início da tarde de ontem na rua principal do conjunto Jardim Sevilha, bairro Parque Verde, enquanto trabalhava na campanha de um candidato a prefeito de Belém. A vítima é a terceira pessoa da família assassinada no mesmo conjunto. E algumas coisas que não se pode medir com números, colegas de trabalho e familiares do jovem traduziram com lágrimas e revolta, e dezenas de curiosos demonstraram com indiferença e curiosidade mórbida no local do crime.

Thiago estava junto a dezenas de pessoas na divulgação de uma candidatura à Prefeitura de Belém, quando, logo depois do almoço, saiu de perto do grupo para falar ao telefone. Nesse momento um jovem trajando a camisa de um clube de futebol de Belém teria arrodeado o ônibus que levava a comitiva, se aproximado da vítima e efetuado os disparos a média distância. Logo em seguida o executor supostamente colocou a arma na cintura e correu até um carro Fiat Palio, de cor prata, que arrancou até a rodovia Augusto Montenegro.

Há oito meses o tio de Thiago, Dione Vale da Silva, 27 anos, e a mulher deste, Rosiane de Oliveira Figueira, 27 anos, foram assassinados no mesmo conjunto. Na madrugada do dia 7 de feveiro desse ano, três homens teriam entrado na casa deles e efetuado vários disparos. Dione morreu na hora e Rosiane morreu três dias depois no Hospital Metropolitano. Polícia e familiares acreditam que o crime de ontem tenha algum tipo de ligação com esse outro.

“A família provavelmente sabe quem atirou, mas por medo eles não revelam. E é até bom que não revelem mesmo, por questão de segurança. Nós já temos alguns elementos e vamos trabalhar na investigação do caso para capturar os assassinos”, avaliou a delegada Claudia Guedes, da Divisão de Homicídios. Garantiram a integridade da cena do crime policiais sob o comando do cabo Cezar, do 1º BPM, 4ª CIA. O caso deve ser assumido pelo delegado Armando Mourão, da Seccional da Marambaia, que também esteve com sua equipe colhendo informações no local.

FOI O THIAGO

Por conta do que ocorreu ao parente de Thiago há oito meses, foi recomendado a ele que não passasse da metade do conjunto na hora da divulgação, para que não houvesse maiores problemas. A essa altura, o Palio de cor prata já estaria dentro do conjunto, parado desde muito cedo, o que chamou a atenção de alguns moradores curiosos. “Eu vi o Thiago se afastar pra atender o telefone e continuei andando pra outro lado. De repente eu ouvi um monte de disparo, que achei que fossem fogos. Mas quando me dei conta que eram tiros, eu fui logo dizendo que era o Thiago. E todo mundo ficou falando enquanto corria pra lá: ‘foi o Thiago’. Quando fomos atrás, já encontramos ele sentado no chão, morto”, relatou uma colega de trabalho da vítima, que não quis se identificar.

O corpo de Thiago logo tombou para o lado, enquanto vários curiosos e colegas de trabalho do jovem se amontoaram na área - um puxado onde ficam localizados dois pontos comerciais, que estavam fechados na hora. Uma parente do garoto, que também estava no mesmo trabalho de campanha, sem perceber a presença do DIÁRIO, conversava com a mãe ao celular. “Foi ele de novo, mãe”, dizia aos prantos. Quando a mãe chegou ao local do crime, invadindo a zona demarcada para o trabalho da perícia, a primeira coisa que ela fez depois de por as duas mãos na cabeça foi botar pra fora o ódio de quem sabe o que houve. “Esse desgraçado me levou mais um”, esbravejava, enquanto era controlada pelos peritos, para que ela não violasse a cena do crime.

“Deixa, não chora. A gente vai atrás dele agora”, disse um motoqueiro a uma das irmãs da vítima, anunciando que aquele assunto não era para a polícia resolver, segundo o que ele parecia acreditar. Do lado de fora do cordão de isolamento, mais vozes não identificadas por conta do medo analisavam a situação. “Se continuar assim daqui a pouco a gente só vai ver a juventude no cemitério”, analisou uma senhora de aparentemente 40 anos.

Segundo os policiais, perto dali, uma câmera de segurança pode ter registrado a placa do carro utilizado no crime. Pode ser a esperança de que a polícia consiga solucionar o caso, sem que isso custe a vida de mais alguém.

(Diário do Pará)

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