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POLÍCIA

Operação da Polícia desfaz quadrilha sequestradora

Depois de ficar preso em cativeiros diferentes durante uma semana, com os pulsos amarrados e sem tomar banho, ouvindo apenas uma vez a voz do pai quando a quadrilha manteve contato com a sua família para negociar o resgate, inicialmente cobrado pelos crim

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Depois de ficar preso em cativeiros diferentes durante uma semana, com os pulsos amarrados e sem tomar banho, ouvindo apenas uma vez a voz do pai quando a quadrilha manteve contato com a sua família para negociar o resgate, inicialmente cobrado pelos criminosos no valor de R$ 3 milhões, o adolescente de 15 anos, filho de empresários do ramo da agropecuária de Marabá, foi resgatado no final da noite de segunda feira (24) pela Polícia Civil. O DIÁRIO DO PARÁ noticiou o caso do início ao desfecho, com exclusividade.

Inicialmente levado para uma área de mata, depois um casebre e por fim para a casa do sítio, localizado a cerca de 500 metros da rodovia BR 316, em Santa Izabel do Pará, o jovem e o taxista que trabalha como motorista da família há seis anos, ficaram nas mãos dos criminosos por sete dias.

De acordo com o delegado Ivanildo Santos, titular da Divisão de Repressão ao Crime Organizado, as vítimas foram resgatadas e saíram ilesas do cativeiro. “Agimos com cautela para preservar a integridade das vítimas. Monitoramos via celular e em campo, para agir no melhor momento”. Ainda segundo a polícia, o motorista afirmou que recebeu coronhadas dos sequestradores. “Mas o adolescente afirmou que não foi agredido”. Ivanildo ressaltou que dois dos integrantes da quadrilha que faziam parte do Primeiro Comando da Capital (PCC) reagiram com a chegada dos policiais no local e acabarem mortos durante a “Operação Uliana”.

Thiago de Mesquita Nascimento e Marcelo, ambos do estado de São Paulo, morreram a caminho do hospital. Ainda no sítio, dentro da casa onde estavam as vítimas, foram presos José Raimundo dos Santos Souza e Ricardo Anderson da Silva. No bairro do Aurá, em Ananindeua, a polícia capturou Carlos Maciel Pereira da Silva e Nelson Roberto Nascimento Negrão. No Guamá, em Belém, foi presa a esposa de Roberto, Renata Cavaleiro de Macedo. De dentro do presídio de Americano, o articulador da quadrilha, Israel Gama Soares, conhecido como “Israelzinho” ou “Punk”, batizado no PCC quando esteve preso em São Paulo, foi descoberto pela Polícia Civil. Também foram apreendidos 23 quilos de cocaína, uma espingarda calibre 38, uma escopeta calibre 12 e um rifle 38.

SEQUESTRO

Por volta das 13h de segunda feira (17), o jovem seguia para a escola com o motorista em um veículo da marca Meriva, quando, em um sinal na Domingos Marreiros com a Dom Romualdo, no bairro Umarizal, dois bandidos entraram no táxi e inicialmente forjaram um assalto. No caminho, o jovem e Edimar foram encapuzados e informados que estavam sendo sequestrados.

A todo o momento, um carro modelo “Honda Fit” seguia o veículo da vítima com o restante dos criminosos. Tendo como destino a área de mata, em Santa Izabel, os veículos seguiram no sentido Pedro Álvares Cabral até Ananindeua, onde as vítimas foram vendadas para que não identificassem o caminho.

Meia hora depois do sequestro, o bando fez o primeiro contato com a família do jovem e pediu a quantia em dinheiro no valor de R$ 3 milhões. Dos sete dias em que rendiam as vítimas, apenas três contatos foram feitos da quadrilha com o pai do adolescente. O negociador ainda ameaçava matar o jovem caso o empresário fizesse contato com a polícia para intervir nas negociações. Mas, uma hora depois do sequestro, uma pessoa que conhecia a família do garoto informou a Polícia Civil do ocorrido, que passou a agir em sigilo.

GRAVAÇÕES

Durante as negociações, o garoto fez apenas um contato pelo celular com o pai e pediu socorro. “Pai, por favor, faz o que eles querem. Não me trai, faz o que eles querem”. Em alguns trechos das gravações, os criminosos pediam rapidez na entrega do dinheiro.
“Arruma o mais rápido possível o dinheiro e tu vai ter o teu filho no colo de novo. Até quarta (hoje), tu tem pra entregar a grana. Tu que sabe”. (Sic). Eles ameaçavam o empresário caso a polícia se envolvesse no caso. “Não mete a polícia no meio e não deixa ela te convencer de nada”.

Desesperado, o pai do adolescente relatou nas conversas o que fazia para conseguir a quantia em dinheiro. “Já consegui 42 mil, mas não consegui o dinheiro todo, tô tentando. Já vendi carro, to desesperado atrás de dinheiro e trabalhando dia e noite pra conseguir”. (Sic).

O empresário também pediu para que eles não machucassem o garoto. “Pelo amor de Deus cuida do meu filho. Me deixa falar com ele, por favor”. Nas ligações, os criminosos também duvidaram de que a polícia estava envolvida, mas o pai do jovem negou que tivesse denunciado o sequestro. Segundo o delegado Ivanildo Santos, nenhum valor foi repassado à quadrilha.

BANDO TINHA “EXPERTISE” EM VÁRIOS CRIMES

O articulador Israel Gama Soares, o “Israelzinho” ou “Punk”, que matinha contato de dentro do presídio com os sequestradores e com integrantes do PCC em São Paulo, tinha passagens na polícia pelos crimes de assalto. Carlos Maciel, que estava foragido, tinha envolvimentos em assaltos e no tráfico de drogas. Segundo o titular da DRCO, delegado Ivanildo, Santos, ele ficava encarregado na distribuição da cocaína, avaliada em R$ 1 milhão. José Raimundo já tinha envolvimento em um assalto a carro forte, onde foi roubado R$ 2 milhões, assalto à instituição financeira e latrocínio. Ricardo Anderson, caseiro do sítio, ficou encarregado de disponibilizar o local para cativeiro. Já Nelson Roberto, conhecido como “Beto”, durante o sequestro, realizou um assalto em Marabá e teria recebido R$ 2 mil para executar uma pessoa no conjunto Maréx, no bairro Val de Cans, o que foi impedido pela polícia.

(Diário do Pará)

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