Um dos motes dos matadores do tráfico em guerra de quadrilhas é atirar sem dó nem piedade na cabeça de suas vítimas, cujo objetivo é desfigurar completamente a pessoa. A morte sangrenta amplia o medo entre os familiares e faz com o “finado” não tenha um enterro digno.
Em geral, eles utilizam armas de grosso calibre, como pistolas automáticas, escopetas e rifles, que fazem um estrago que ninguém ousa ter coragem de deixar o caixão aberto durante o velório. Essa é a marca registrada de criminosos que passaram também utilizar os mesmos “modus operandi” dos traficantes do sul do país na Região Metropolitana de Belém.
Neste final de semana, uma execução neste estilo ceifou a vida do ex-presidiário Carlos Augusto da Silva Gonçalves, de 29 anos, conhecido como “Cida”, que “tombou” na feira do Providência, no bairro de Val-de-Cans, em Belém, com dez tiros que atingiram em cheio o rosto e cabeça.
Para matar Carlos Augusto, os assassinos utilizaram uma pistola ponto 40 de uso exclusivo das forças de segurança do país e não tiveram pena em economizar munição. “Foi uma execução sumária e com testemunhas por todos os lados”, informou o soldado Clecio, da viatura 9109.
Uma testemunha ocular, que estava com a vítima na hora do crime, disse que os assassinos chegaram, ainda conversaram com “Cida” e houve uma pequena discussão quando o garupa sacou a pistola e, à queima roupa, disparou dez vezes, acertando em cheio todos os tiros na cabeça da vítima.
Eram dois homens vestidos de preto com capacetes em uma motocicleta. No entanto, uma testemunha disse ao DIÁRIO que havia uma segunda motocicleta com dois elementos também dando suporte para a empreitada criminosa, que aconteceu na avenida Sul, esquina da quadra 23 do conjunto Providência.
Carlos Augusto da Silva Gonçalves estava no estabelecimento comercial da família, pediu dinheiro para comprar um lanche e saiu em companhia do primo, quando foi interceptado pelos matadores a menos de 60 metros da sua casa.
Carlos Augusto tinha um histórico de crimes que, segundo a própria família, iam desde homicídios, roubos e tráfico de drogas. Ele estava recém saído da Penitenciária de Americano onde cumpriu pena por assalto e uma pessoa muito ligada a ele disse ao DIÁRIO que, na qualidade de viciado, poderia também estar devendo para algum traficante.
A Divisão de Homicídios, com a delegada Claudia Renata Guedes e seus investigadores, estiveram no local do crime fazendo levantamentos e obtiveram informações importantes que podem levar à prisão dos criminosos.
O perito Vamilton Albuquerque do Instituto de Criminalística levantou evidências do crime, tendo encontrado dez perfurações de bala ponto 40, todas localizadas no rosto e cabeça de Carlos Augusto da Silva Gonçalves.
(Diário do Pará)
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