Será anunciada, hoje, a sentença para os cinco acusados de terem executado quatro pessoas de uma mesma família, na área da Cabanagem, em agosto de 2010, no caso que ficou conhecido como a “Chacina da Cabanagem”. O julgamento acontece, desde ontem, no 1º Tribunal do Júri da Capital e iniciou com o depoimento de onze testemunhas e dos cinco réus. Hoje, o juiz e os jurados assistem as teses defendidas pela acusação e pela defesa, em seguida votam a condenação dos acusados. De acordo com os autos do processo o mandante da execução é Dileno José Ferreira de Souza, 21 – vulgo “Dente podre” ou “Dinei”. Os demais acusados são Igor Griego Benito da Silva, 23; Adelson da Vera Cruz, o “Bocão”, 22; Adriano Costa Mascarenhas, o “baby” ou “cara de porco”, 21; e Anderson da Silva Santos, o “Sibica”, 28. Todos vão responder por homicídio qualificado e, se condenados, poderão pegar de 12 a 30 anos de reclusão.
O primeiro dia do julgamento foi marcado pelo depoimento das testemunhas, tanto de defesa quanto de acusação. No total, onze pessoas foram ouvidas, mas o relato mais esperado era o de Antônio Cleiton Melo de Almeida – que seria, supostamente, o pivô do crime – que fugiu na hora do tiroteio. Consta no processo que Antônio Cleiton e Dileno tinham uma rixa antiga e o réu teria invadido a casa onde morava na Alameda D. Jorge para matar Antônio, que conseguiu escapar da execução pelo forro do banheiro da residência.
Em seu depoimento, Dileno, negou que tenha participação na morte das quatro vítimas, porém admitiu ter invadido a casa e atentado contra Cleiton. “Mas ele não morreu”, disse o réu, que demonstrou inquietação diante do juiz Edmar Pereira, que preside o julgamento.
Para o promotor de Justiça Manoel Murrieta, o “Dinei” é o principal responsável pelo crime porque liderou o grupo. “Ele mudou totalmente a versão dada anteriormente quando assumiu a participação no crime e agora negou”, destacou o promotor, que vai continuar com a mesma tese de acusação de afirmativa de autoria do crime.
Murrieta disse que o depoimento das testemunhas não implicou mudanças no processo, pois não acrescentaram nenhuma informação nova. Em contrapartida, para o defensor público Rafael Sarges, que atua na defesa dos réus, todos os depoimentos das testemunhas foram contraditórios. “Algumas testemunhas disseram que três pessoas entraram na casa, outros afirmam que foi quatro e teve uma testemunha que disse que viu cinco pessoas entrarem na casa”, comentou. Quando questionado sobre a contradição de Dileno, que teria mudado o seu depoimento, Sarges alegou que o réu nunca disse que teria assumido a culpa. “Ele (Dileno) sustenta que atirou contra Cleiton, que não morreu”, frisou Sarges.
O defensor citou também que Dileno entrou na casa acompanhado de “Claudinho”, que seria o sexto envolvido na chacina, mas que morreu em uma troca de tiros com a polícia. “Não existe no processo algo que indique alguma relação entre os acusados no processo”, comentou Sarges. Hoje, é a vez da defesa e acusação sustentarem suas teses e convencer ao júri da participação e autoria ou não do crime. Na plenária, parentes, amigos e curiosos assistem ao julgamento, mas se limitam a não conceder entrevista.
O CASO
O crime aconteceu na madrugada do dia 8 de agosto de 2010, quando três homens invadiram em uma casa de madeira na Alameda Dom Jorge, numa área conhecida por Cabanagem, no bairro da Marambaia. Eles procuravam por suposto assaltante conhecido por Clayton, que se escondeu no banheiro quando percebeu a invasão. No domicílio dormiam oito pessoas.
(Diário do Pará)
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