Na madrugada de ontem, um princípio de rebelião agitou detentos da Central de Triagem da Cidade Nova, em Ananindeua. Por volta das 2h, 28 presos da cela número 3, serraram as grades de segurança de onde estavam alojados e invadiram o pátio da unidade de triagem, provocando tumulto entre os outros internos. De acordo com o diretor da unidade, Anderson Palheta, a ação foi coibida pelos agentes carcerários que solicitaram o apoio da Tropa de Choque para inibir o motim.
“Apesar dos detentos terem fugido da cela, conseguimos controlar a ação imediatamente, não deixando que o tumulto tomasse proporções maiores. Com a ajuda da Tropa de Choque conseguimos inibir o plano de fuga e identificar os lideres da ação”, afirmou Palheta. Segundo ele, os detentos ainda chegaram a atear fogo em colchões, mas tudo foi controlado ainda na madrugada.
Após passarem por uma revista realizada por homens da Tropa de Choque, que encontraram apenas uma serra com os detentos, todos os ocupantes da cela 3 foram remanejados para outras celas da unidade. “A ideia de separar eles em alojamentos diferentes é para conter a ação conjunta e evitar que situações assim aconteçam novamente”, ressaltou o diretor da unidade, que admite que a superlotação é um dos maiores problemas enfrentados na unidade.
SUPERLOTAÇÃO
Familiares dos detentos que estiveram na frente da seccional, durante a manhã de ontem, também reclamaram da superlotação na central de triagens. Segundo uma dona de casa, que prefere não se identificar, as denúncias sobre o excesso de presos no local é comum entre os detentos. “Todos os parentes de presos que visitam essa prisão sabem disso, os presos não são bem tratados aqui e para completar ainda tem que conviver em espaços sobrecarregado de gente. É por isso que eles se revoltam”, disse a mulher que se preparava para mais um dia de visita na unidade penal.
“Muita das reivindicações dos presos partem da superlotação, que é uma realidade sim, mas não é um problema enfrentado apenas pela central da Cidade Nova, sabemos que isso também ocorre em outras unidades da Susipe, que tem feito muito esforço para mudar essa situação”, garantiu Palheta. De acordo com ele, a central da Cidade Nova tem capacidade para 130 internos, mas atualmente está lotada por 236 presos, quase o dobro do permitido.
Com o tumulto as visitas foram suspensas e deverão ser retomadas a partir da próxima semana.
(Diário do Pará)
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