Alguns erros têm conserto, mas certamente não terá sido o caso, se Girley de Paula de Oliveira, 20 anos, executado com seis tiros no início da tarde de ontem, realmente tiver sido morto por engano, como apontam as investigações preliminares. Um homem teria descido armado de um Celta de cor prata e efetuado aproximadamente 10 tiros de pistola .380 contra a vítima na estrada do Aurá, esquina com a rua 03 de Março, no bairro do Aurá em Ananindeua. Suspeita-se que o verdadeiro alvo fosse o irmão de Girley.
Como de praxe, pouquíssimas informações foram levantadas pela polícia no local. “Nós recebemos a informação de como aconteceu o fato, mas de forma superficial. As pessoas têm muito medo de falar nessa área”, comentou o sargento Emano, do 6º Batalhão da Polícia Militar, comandante da primeira equipe policial a chegar ao local do crime. Cinco cápsulas de munições deflagradas de pistola .380 foram encontradas pela equipe dele.
O trânsito na via de mão dupla onde o jovem foi assassinado ficou bastante congestionado. Era um complicador o fato de que a maioria dos motoristas que passavam diminuía bastante a velocidade para ver detalhes do corpo no local. Até mesmo mulheres ciclistas com filhos pequenos na garupa se arriscavam entre os carros para captar detalhes mórbidos da cena.
O inquérito policial que será instaurado para apurar o crime será presidido pelo delegado Marcílio Lopes, diretor da Delegacia de Polícia do Aura.
ENGANOS E CERTEZAS
“É o meu irmão, o Girley que tá aqui”, respondeu a irmã da vítima a um motoqueiro que se juntava a massa de curiosos diante do curto espaço delimitado pela polícia para o trabalho dos peritos do Instituto Evandro Chagas. Dividiam o espaço com os profissionais os parentes do jovem, que lamentavam e justificavam-se ao mesmo tempo. “Ele não era errado não. Ele não merecia isso”, lamentava a mesma irmã.
O cunhado da vítima aproveitou o fim do trabalho dos peritos para segurar a mão do ex-amigo e pedir bênçãos. “Que Deus abençoe essa família e te encaminhe para um lugar melhor. E que seja feita justiça”, orava o homem, que, pelo uniforme que vestia, provavelmente largou o trabalho no meio do expediente para prestar solidariedade à esposa.
Muitos moradores sem se identificar declararam que não viam Girley envolvido com más companhias. Alguns chegaram a cogitar que ele teria sido confundido com o irmão, que supostamente está preso. Entretanto, essa informação ainda não tinha sido confirmada até o fechamento desta edição. Certeza mesmo, traduziu o gesto da irmã, ao se abraçar com a blusa ensanguentada do irmão que ela viu crescer e teve que acompanhar ser removido dentro de um plástico. Ela e outras dezenas de parentes e amigos que rapidamente compareceram ao local e choraram desesperadamente deram a todos a certeza da saudade. E, por que não dizer, certeza também da revolta.
(Diário do Pará)
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