Há quase quatro anos, uma notícia no jornal tirou o sono do motorista Paulo César Cardoso. A edição do dia 14 de dezembro de 2008 do DIÁRIO DO PARÁ trazia a notícia de um assalto à agência dos Correios de Santo Antônio do Tauá. Segundo a polícia, dois homens teriam invadido o local e levado a quantia de R$ 21 mil. Uma terceira pessoa teria dado cobertura à dupla que, durante confronto com os policiais, foi baleada e acabou não sobrevivendo. Uma carteira de habilitação perdida durante a fuga indicava que Paulo César faria parte do bando.
O raciocínio estaria correto, não fosse o fato de o motorista garantir que nove meses antes tinha perdido todos os documentos. “Um conhecido chegou em casa com o jornal mostrando a minha foto e dizendo que eu era procurado pela polícia. Fiquei surpreso com aquela situação e procurei a polícia. Apresentei o boletim de ocorrência que tinha feito em março quando perdi os documentos e a delegada disse que eu podia ficar tranquilo porque realmente era um mal entendido. E assim eu dei por encerrado o assunto”, relembra Paulo, que na ocasião não recebeu nenhum documento inocentando-o. Para sua infelicidade, na manhã da última terça feira ele foi preso por agentes da Polícia Federal.De acordo com seu relato, ele dirigia um micro ônibus que faz a linha Marituba/Castanheira quando foi abordado pelos policiais e recebeu voz de prisão.
Nas mãos dos federais havia um mandado de prisão que tornava a ação legal. Paulo César seria dado como foragido da Justiça desde 2008. Ele teria deixado o veículo e conduzido algemado na viatura policial. “Eu fiquei muito surpreso com tudo aquilo. Afinal imagina o que é você estar trabalhando e de repente ser preso pela Policia Federal. Mas tive calma e dizia pra eles que só queria entender o que estava acontecendo”, conta o rapaz.
VERDADE LIBERTA
Segundo César, na delegacia ele explicou o caso e após a chegada da irmã com o boletim de ocorrência que dava conta da perda dos documentos e a página do jornal que mostrava o caso ele pode ser liberado através de um Alvará de Soltura expedido pelo juiz da 4ª Vara Antônio Carlos Almeida Campelo. O motorista disse que ficou detido das 10h20 às 18h, mas não foi conduzido a nenhuma cela, nem teve contato com qualquer outro preso. Ainda assim irá a busca de seus direitos. “Eu só quero ter uma vida normal.
Desde que tudo aconteceu, minha vida não foi a mesma. Nunca tive nada a ver com essa história. Nunca estive nesse lugar e não consigo trabalho com carteira assinada. É um mal muito grande que essa situação causou. Um constrangimento enorme. Vou entrar na Justiça pra ter meus direitos”, afirma Paulo César, apresentando os documentos da polícia. “A minha sorte que tive o cuidado de guardar o BO todo esse tempo. Se eu não tivesse tudo ia ser ainda pior”.Procurada, a assessoria da Policia Civil (PC) informou que por envolver um órgão federal, a apuração do crime é conduzida pela Polícia Federal. Sobre a notificação que Paulo César garante ter feito à Seccional da PC e que teria esclarecido o problema ainda em 2008, a assessoria não soube dar detalhes, mas disse provavelmente, se realmente tiver sido avisada, encaminhou a informação à Policia Federal.
A reportagem também procurou a assessoria da Policia Federal para entender como se deu a representação do crime e a expedição do mandado de prisão. O assessor pegou os dados de Paulo César para apurar o caso.
(Diário do Pará)
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