Viciado desde os 13 anos, Paulo Henrique Guerra da Silva, 16 anos, conhecido como “Paquera” teve a um final infelizmente previsível na tarde de ontem, quando recebeu três tiros de um homem que estaria com um comparsa numa moto supostamente aguardando a vítima na avenida Bernardo Sayão, próximo a rua Breves, bairro do Jurunas. O adolescente que teria sido vítima de uma armadilha ainda foi socorrido com vida pelo tio, mas morreu antes que chegasse ao PSM do Guamá.
Os três dos cinco tiros disparados atingiram o braço, a costa e a costela do “Paquera”. Esse último projétil acabou percorrendo o corpo do garoto até o pescoço, sendo a bala que provocou a morte da vítima. Entretanto, a família acredita que estar no lugar errado e na hora errada não foi coincidência. “Ele estava dormindo na casa da mãe dele quando o “Anjinho” foi lá chamar ele pra sair. Algumas pessoas falaram pra gente que viram esse ‘colega’ dele fugindo junto com os caras que atiraram”, acusou a tia de Paulo, Célia Lobato, 45 anos.
Foi ela quem compareceu ao posto da Polícia Civil anexo ao PSM porque a mãe do adolescente não estava em condições psicológicas de cumprir os trâmites legais do caso, que será acompanhado pelos investigadores da Seccional da Cremação, que já estava tomando conta do caso antes do registro do Boletim de Ocorrência.
FLERTE FATAL
A própria tia do garoto admitiu que Paulo Henrique costumava cometer furtos e roubos para manter o vício quase todas as noites. Ele já teria tido várias passagens pela Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data). Por vezes ele foi encaminhado para fazer tratamento para desintoxicação, mas ele não conseguia permanecer internado. “Mas também esse tratamento que o governo dá...”, cutucou a tia, sem querer entrar em maiores detalhes.
A vítima recebeu os disparos a poucos quarteirões de onde morava a avó dele, onde costumava passar a maior parte do tempo. A prima dele, filha da dona Célia, chegou a ouvir os tiros. “Minha filha ouviu os tiros e comentou comigo que ia lá ver quem tinha morrido dessa vez. Quando chegou lá viu que era o primo dela”, relatou a tia.
O adolescente de apelido “Paquera” estudou somente até a 3ª série e, segundo a tia, não tinha projeto de vida que não fosse flertar com o perigo. Representantes da família e do Estado assinaram os últimos papéis referentes a breve vida do adolescente e agora devem cumprir o rito burocrático que restou: enterrar o corpo e investigar o homicídio.
(Diário do Pará)
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