Em uma semana marcada por uma média de três assassinatos por dia na Grande Belém, a dívida com o tráfico de drogas, a maior causa dos homicídios na região metropolitana, fez mais uma vítima. Dessa vez, um adolescente de 17 anos. Diego Alberto Matos de Sousa foi executado com um tiro na cabeça, na madrugada de ontem, na passagem Mario Correa, próximo à rua Frederico Hosana, no bairro da Agulha, distrito de Icoaraci.
Segundo a polícia, a vítima era dependente químico e vivia perambulando pelas ruas do distrito. “A informação que a gente tem é que o rapaz morava na rua e de vez em quando roubava para sustentar o vício. Pelos indícios do crime, com caráter de execução, já que o tiro foi certeiro, na cabeça, essa é mais uma morte por acerto de contas com traficantes”, relatou o cabo Borges, da 1ª Cia do 10º Batalhão da PM.
O policial também revelou que o jovem tinha varias passagens na Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data) pelos crimes de furto e roubo qualificado. “Por conta do vício, ele acabava se envolvendo em roubos com objetivo de apenas consumir mais droga e nisso, provavelmente, acabou se endividando com traficantes da área e como não tinha dinheiro, teve que pagar a dívida com a própria vida”, explicou o PM, comandante da viatura 9305.
A mãe da vítima, que prefere manter o anonimato, esteve no local e confirmou a versão apresentada pela polícia. “Ele tinha envolvimento com o crime, sim. Eu não vou negar isso. Desde os dez anos de idade que eu não tenho mais controle sobre ele. O vício das drogas dominou o meu filho muito cedo, tanto que apesar de ter casa, ele passava semanas e semanas na rua, sem dar nenhuma notícia e só aparecia em casa rápido, para comer ou para roubar. É triste, muito triste. Mas essa é a verdade”, revelou a mulher, enquanto tentava segurar o choro ao lado do corpo do filho.
Na rua onde o jovem foi executado prevaleceu a lei do silêncio. Nenhum morador da área quis comentar sobre o caso, apenas disseram que ouviram um barulho de tiro por volta das 3 horas e que o corpo só foi encontrado no início da manhã. “A insegurança aqui na área é muito grande, por isso compreendemos o medo das pessoas em falar sobre o crime. Mas isso não impede que elas passem informação para a gente, de forma anônima, através do disque-denúncia (181). Pois, quanto mais denúncias chegarem até a polícia, maiores são as chances dos acusados serem presos”, garantiu o cabo Borges.
O caso será investigado pela Seccional Urbana de Icoaraci, através do delegado Aladir Moraes.
(Diário do Pará)
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