Mais uma vez a cena se repete. Crianças não somente presenciam homicídio, como também encontram cadáver. Enquanto apanhavam frutas, como de costume, em um terreno de propriedade privada na Agrovila São Pedro, rua que dá acesso ao Presídio Estadual Metropolitano (PEM), no município de Marituba, Região Metropolitana de Belém, um grupo de garotos descobriu ontem de manhã (29), o corpo de um jovem que havia, segundo peritos criminalísticos, sido morto no início da noite do último domingo.
Com 37 golpes de faca, José Ailton Tavares, 19 anos, mais conhecido como “Paizinho”, foi assassinado devido a uma possível dívida que teria com traficantes, pois era usuário de drogas e residia no Parque das Palmeiras, naquele município.
O irmão da vítima, aparentemente adolescente, que não quis se identificar, pouco falou sobre o irmão. O olhar do menino não desviava da direção do corpo do irmão. Mesmo calado, a única expressão que o rapaz demonstrou foi de susto aliado a tristeza, assim que apenas uma lágrima escorreu pelo rosto. Detalhes da vida do parente e dos últimos momentos que esteve com ele também não foram compartilhado pelo jovem. Queria ver apenas de longe, sem muita aproximação, pois, assim que foi reconhecido por alguns curiosos que se amontoaram no local, o que o irmão da vítima tentou foi se distanciar da cena. Rapidamente ele se afastou e sumiu entre os populares sem dar mais informações.
De acordo com os peritos, o crime teria acontecido na noite do dia anterior, pois já havia ninhos de formiga tomando conta do cadáver e o corpo já estava enrijecido. Também foram encontrados jogados pelo mato papelotes vazios que embalam entorpecentes e ainda uma garrafa de bebida alcoólica. “Contabilizamos 37 perfurações de arma branca, distribuídas pelo corpo, como tórax, costa e pescoço”, contou um perito. A arma do crime não foi encontrada no local.
O silêncio entre os populares era generalizado. Mesmo que soubesse de alguma coisa, nada repassavam. “Não sei e não vi nada. Sequer moro aqui”, respondeu rapidamente uma mulher assustada, ao ser questionada pela equipe de reportagem o nome da rua à qual o terreno pertencia.
Adultos, jovens e até mesmo crianças não se afastavam do local onde o jovem foi encontrado morto. Talvez por curiosidade ou “por costume”, já que uma das crianças que encontraram a vítima revelou que não se surpreende ao ver essas cenas. “Já estou acostumado, tia, a ver isso. Não tenho medo, não, nem fico assustado”, revelou um menino de 9 anos de idade, acompanhado de colegas vizinhos.
A polícia não descarta a possível execução por causa de envolvimento com o tráfico de drogas, já que a informação adquirida era de que a vítima seria usuária. As investigações serão realizadas pela equipe de policiais civis da Seccional Urbana de Marituba.
(Diário do Pará)
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