No início deste mês (03/10), Fábio Roberto Alencar da Costa, 22 anos, foi até a redação do DIÁRIO, por volta das 21h, alegando ter acabado de sofrer sequestro-relâmpago a mando de Luis Ronaldo de Sarges, 46 anos, cuja motivação para o crime seria forçar o jovem a retirar as queixas de estupro que ele próprio, suas duas irmãs e uma prima (menores) teriam sofrido por parte de Sarges, fato acontecido no decorrer da relação de emprego de Luiz Sarges, quando ele era motorista da família. A matéria não foi publicada porque não foi possível checar as informações no mesmo dia ou mesmo ouvir o que o outro lado teria a dizer. Entretanto, dias depois, a reportagem conversou com o Delegado Jerônimo Santos, da Seccional Urbana da Cremação, que desmentiu Fábio Roberto. Luis Ronaldo Sarges, que havia sido preso preventivamente durante 10 dias pela acusação de abuso sexual de menor, e que teve o rosto estampado em um veículo de comunicação da cidade e no site do mesmo jornal, cuja manchete o acusava, no dia 25/08/12 de ser “Tarado”, possivelmente teria sido vítima de um golpe de interesses patrimoniais e financeiros. Cabe o questionamento: Quem é preso e aparece nos jornais nessa condição já está condenado?
Por 17 anos Sarges trabalhou continuamente como auxiliar administrativo e depois como motorista da senhora Carmem Graciete, 85 anos. Logo no começo do trabalho, ele teria tido um relacionamento amoroso com sua chefe, quando Fábio ainda era criança, estando hoje com 22 anos. Segundo o denunciante Fábio Roberto, nesse período o condutor o abusava sexualmente dentro da casa, assim como fazia com suas duas irmãs e uma prima menores quando ia buscá-los na escola. Fábio moraria com Graciete desde criança por opção da família, assim como as menores, em que eram atendidas pela genitora adotiva que, sendo uma mulher de condições financeiras generosas, sempre prestou bastante ajuda aos familiares do garoto (Fábio) que foi criado como filho.
“Depois que eu e minhas irmãs criamos coragem para denunciar esse tarado, minha vida virou um inferno. Ele já cometeu alguns sequestros-relâmpagos, sempre tentando me intimidar. Se hoje eu sou homossexual, é porque ele abusava de mim e eu sempre aguentei calado. Mas agora eu não tenho mais medo e gostaria muito que a foto dele aparecesse no jornal, porque isso me ajudaria”, pediu, exibindo uma porção de boletins de ocorrências de diversas delegacias, feitas contra o denunciado. Inclusive o último, feito na Central de Flagrantes de São Brás, a respeito do que teria havido. O jovem, que também é estudante de Odontologia, alegou que o suposto “tarado” seria protegido pela mulher (mãe adotiva) que o criou, porque eles ainda manteriam um relacionamento amoroso.
OPINIÃO DO DELEGADO
“Esse garoto [Fábio] me pareceu meio suspeito quando estive com ele. Eu o recebi aqui no dia 03 de outubro, visivelmente alterado, alegando que havia sido vítima de sequestro, sendo que ele havia saído daqui há poucas horas quando seria ouvido, juntamente com Sarges, porque o garoto teria cometido injúrias contra esse último. Depois ele me vem dizendo que tinha acabado de ser sequestrado, que precisava de escolta, e na mesma hora liguei pro advogado do denunciado, M. Martins Junior, e constatei que os dois estavam juntos desde que saíram daqui”, alegou o delegado Jerônimo Santos, da Seccional Urbana da Cremação.
A respeito desse sequestro, Fábio, não conformado em não poder registrar o B.O. na Cremação, teria se dirigido até a Central de Flagrantes de São Brás, aonde registrou a ocorrência. Segundo ele, quando voltava para sua casa, localizada na rua Ó de Almeida, três homens, um deles armado, o abordaram na rua. Conforme alegou, inicialmente os bandidos pediram que entregasse os pertences. No entanto, alegou que se recusou a fazer isso e entrou no próprio carro, conseguindo fugir dos bandidos. Foi quando teria se iniciado uma perseguição que prolongou-se até um sinal na rua dos Pariquis, ocasião em que os bandidos teriam “fechado” o carro de Fábio Roberto e o teriam obrigado a entrar no veículo deles. Segundo afirmou na Delegacia de São Braz, os bandidos, que se encontravam armados, circularam com o estudante pelas ruas de Belém durante três horas, sempre o ameaçando para que “retirasse a queixa feita contra Luis Sarges no caso dos estupros”.
CONTRADIÇÃO
Entretanto, o caso que tramitou para a Seccional da Cremação, não se sustentou porque o carro que teria sido usado no sequestro, um Honda CRV de cor preta, pois seria o mesmo carro que ele (Fábio) teria visto na Seccional da Cremação, não pertencia a Sarges e sim à irmã, que o teria utilizado na mesma hora do crime para fazer compras, tendo como prova as imagens do circuito interno da loja. Além disso, o carro de Fábio teria sido encontrado devidamente estacionado na rua dos Pariquis, de forma a contradizer a afirmação de que teve que sair às pressas dele e entrar em outro veículo (CRV) após ser abordado no meio da rua.
AUSÊNCIA
Segundo apuração do DIÁRIO, pesa ainda contra Fábio o fato de que, em todas as audiências convocadas pelos delegados nas diversas delegacias aonde foi registrado algum Boletim de Ocorrência a respeito disso, em nenhuma o estudante compareceu. A mais recente foi na terça-feira (23), na Seccional da Cremação, aonde o delegado pretendia fazer a acareação dos fatos, só que o jovem mais uma vez não compareceu, embora tenha sido avisado, segundo a autoridade policial.
O OUTRO LADO
“Esse garoto passou a me perseguir depois que começou a cometer uma série de abusos contra a mulher que o criava, já na adolescência. Ele começou a usar os cartões de crédito da Craciete (patroa de Sarges), fazer farras na casa dela quando ela saia, viagens pagas com os cartões de crédito dela, razão pela qual ele foi convidado a sair de casa por ela, após se constatar várias arruaças dele. Por conta de eu receber um bom salário (em torno de R$ 2,4 mil) dela, e de ter tido um relacionamento amoroso com ela no início, Fábio começou a pensar que eu a estava incentivando a fazer isso pra ficar com a herança dela, com os bens dela, sobretudo depois que ela me presenteou com um sítio, que gerou ciúmes, inveja e cobiça por parte dele e da família”, afirmou Luis Sarges. Segundo Sarges, sua mãe (Maria José de Sarges) foi vítima de agressão praticada por Fábio no dia 18/09/12, quando ela encontrou ocasionalmente com ele em via pública. Até os cabelos dela ele teria arrancado, acusando-a de “mãe de assassino”, atirando-a contra o chão e quebrando a sombrinha dela, momento em que foi contido pela população. O boletim de ocorrência do caso foi registrado na Delegacia da Cremação.
Segundo Luis Sarges, Fábio ainda o teria caluniado e difamado através de um site de relacionamento, onde sugeria aos seus amigos que procurassem na internet o nome de Sarges sob o rótulo de “estuprador, pedófilo e tarado”, dizendo ainda no bate-papo: “Eu cumpro o que eu falo! Tá preso: ele é a nova moça da cadeia. Ele já sabe o que é ser abusado sexualmente, nada mais nada menos por 40 homens em uma cadeia”. Segundo ainda Luis Sarges, não bastasse isso, Fábio teria impresso a reportagem de um jornal com a foto de Sarges como “tarado” e distribuido os impressos no bairro onde ele mora. Indignado com a atitude de Fábio, Luiz Sarges registrou um boletim de ocorrência na Seccional da Cremação relacionando várias testemunhas sobre o ocorrido.
ESTELIONATO
Segundo o advogado M. Martins Junior, outro ponto que depõe contra o caráter de Fábio seria o fato de ele ter o costume de abastecer seu carro em postos de gasolina e depois arrancar com o veículo para não pagar. Mas ele deu o azar de supostamente ter sido flagrado pelo circuito de segurança do Posto Dalas, e é suspeito de estelionato em inquérito policial instaurado na Seccional de São Brás (Ele também ainda não teria comparecido a nenhuma audiência convocada referente a esse caso).
PRISÃO
Esse caso ilustra que toda acusação é apenas isso, uma acusação, até que o fato transite em julgado na Justiça por sentença condenatória ou de inocência. Aparecer no jornal ou mesmo ser preso não é garantia nenhuma de culpa. Entretanto, mesmo tendo comparecido pessoalmente junto com seu advogado desde o início da acusação a todos os atos do inquérito, Luis passou 10 dias preso e só depois foi solto, manchas que, segundo ele, carregará pelo resto da vida, principalmente diante da perseguição que vem sofrendo junto com sua família, Ele é casado, pai de uma criança de seis anos e não possui antecedentes criminais. O resultado do Laudo Técnico atesta a inocência de Sarges quanto a acusação de crime de abuso sexual. “Vamos lutar por todos os direitos dele, para reparar sua honra e imagem e de sua família, que foram violadas em razão de seu contrato de emprego”, afirmou o advogado trabalhista Carlos Vasconcelos, que o acompanhará na Justiça do Trabalho e na Justiça comum, nas ações indenizatórias.
DIREITO DE DEFESA
O jovem Fábio foi contatado pelo DIÁRIO por telefone várias vezes para comentar as denúncias feitas contra ele pelos advogados de defesa do motorista. Nas primeiras duas tentativas ele ficou de retornar o contato para confirmar uma agenda, a partir daí não atendeu mais.
1 - Boletim de ocorrência feito pela mulher de Sarges denunciando calúnia feita por jornais locais
2- Boletim de ocorrência registrado por Sarges contra Fábio pelas calúnias divulgadas através do site Facebook
3- O Boletim de ocorrência feito pela mãe de Luis Sarges denunciando a agressão sofrida por parte de Fábio
4- O laudo do exame de corpo de delito referente ao exame sexológico forense inocentou Luis Sarges das acusações feitas por Fábio
5- Luis Sarges foi vítima de comentários depreciativos à sua pessoa através do Facebook
(Diário do Pará)
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