As Polícias Civil e Militar prenderam, na noite de anteontem em Castanhal, nordeste do Estado, dois homens acusados de sequestrar jovens que, por sua vez, estariam envolvidos com o tráfico de drogas. A intenção da dupla era se passar por policiais civis para extorquir a família dos supostos traficantes para depois libertá-los.
Por volta das 18h de terça-feira (06), duas famílias procuraram a Polícia Militar. Os familiares informaram que um carro havia sequestrado dois jovens na Rua do Arame, no bairro Florestal. Os jovens teriam sido colocados à força dentro do veículo e depois agredidos na frente dos transeuntes.
Uma hora depois, os familiares dos sequestrados receberam a primeira ligação. O telefonema feito do celular de uma das vítimas pedia uma quantia de R$ 5 mil para libertar os jovens, caso contrário, eles seriam presos em flagrante por tráfico de drogas e apresentados numa delegacia de Belém. Para o azar dos sequestradores a ligação estava sendo ouvida por uma grande equipe policial. O local marcado para “entregar” o pacote com o valor seria em frente ao hospital São José, na BR-316. Depois que a ligação foi encerrada, as equipes da Superintendência do Salgado, NAI e 12ª Seccional do Jaderlândia foram para o local e fizeram um cerco com carros descaracterizados. As horas se passaram e os sequestradores com o suposto carro da marca Hilux, designado para pegar o resgate, não havia aparecido. As vítimas informaram que os sequestradores antes de se deslocarem para o local marcado, passaram a torturar os jovens numa estrada parecida com a que liga os municípios de Castanhal a Inhangapi.
As 23h, a polícia desconfiou de um táxi que estava parado há muito tempo em frente ao hospital. Os investigadores foram ao encontro do veículo e foram surpreendidos com uma arrancada. O motorista do táxi foi ameaçado pelos dois sequestradores que estavam dentro do veículo; ele foi obrigado a fugir do cerco. Mas a fuga terminou depois que o veículo foi interceptado. Para a polícia o falso sequestro contava com mais pessoas envolvidas. “Como os dois (acusados) estavam demorando a aparecer com o dinheiro do resgate, os outros integrantes dessa quadrilha abandonaram as vítimas no bairro da Cohab e deixaram os comparsas fugindo de Castanhal”, disse o delegado do NAI, Fernando Rocha.
Segundo ainda a polícia a intenção da quadrilha era extorquir supostos traficantes do bairro Florestal. “Eles sabiam que a Rua do Arame é conhecida pelo grande comércio de tráfico de drogas, o objetivo deles era forjar um sequestro se passando por policiais, para pegar dinheiro das famílias”, disse.
Os dois acusados são Carlos Alberto Cavalcante Guedes, 46, e o ex-policial civil Raimundo Nonato Fernandes, 49, o “Japonês”, expulso da corporação em 1981 por envolvimento em homicídios. Os acusados foram conduzidos para a delegacia e negaram que estivessem cometendo crimes em Castanhal. No entanto, eles foram reconhecidos pelas vítimas e pelas famílias que presenciaram o sequestro.
Foram dois criminosos presos e sabemos que tinham mais três pessoas envolvidas nesse sequestro. Não podemos admitir esse tipo de crime aqui, visto que as vítimas foram torturadas e ameaçadas de morte”, contou o superintendente da Polícia Civil na Zona do Salgado, delegado Luiz Xavier.
Os policiais que participaram da operação denominada “Batman” explicaram que a prisão só foi efetuada com êxito graças a colaboração dos familiares. “Foi um trabalho de inteligência que contou muito com o apoio dos parentes, eles confiaram no nosso serviço e o principal, não pagaram o resgate. Por que isso seria um sinal de execução dos jovens, visto que as vítimas tinham reconhecidos os sequestradores”, concluiu Luiz Xavier.
Os presos Carlos Alberto e Raimundo Nonato, o “Japonês”, foram autuados em flagrante por formação de quadrilha, cárcere privado, extorsão mediante sequestro e tortura. Os dois acusados estão à disposição da justiça no Centro de Recuperação de Castanhal (CRCAST)
(Diário do Pará)
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