Por volta das 15h de ontem a ex-esposa de Cristinaldo Souza Lima, 33 anos, recebeu uma ligação dele avisando que meia hora depois iria deixar algumas coisas para os cinco filhos que tiveram juntos.
Ela compareceu ao lugar marcado deixando algumas clientes do salão dela esperando e,passados quase 15 minutos, nada do “ex”. Ela não sabia, mas nesse momento ele já estava morto na 3ª rua do bairro Santa Clara, em Marituba. A poucos metros dali, na cabeceira da rua Oswaldo Melo, o cunhado dele, Celiano Ribeiro da Cruz, 31 anos, também estava morto, num matagal.
Os dois teriam acabado de roubar cerca de 20 celulares numa farmácia no centro do município, e teriam sido surpreendidos pelos executores por motivos ainda desconhecidos.
Cristinaldo, que é mais conhecido como “Crico”, teria convivido aproximadamente 18 anos com a companheira, que o teria deixado pelo envolvimento com o tráfico de drogas, crime pelo qual ele chegou a ser preso em 2003. O cunhado dele, mais conhecido como “Gago”, seria o parceiro inseparável dele no mundo do crime. “Depois que ele me deixou ele foi morar em Águas Lindas. Não sei o que ele veio fazer aqui”, comentou a ex-companheira.
As marcas de um possível acerto de contas praticamente gritavam em toda a cena do crime. Próximo a Crico estava o
capacete preto e cinza que ele usava sobre a Honda Titan amarela próximo a um lado da rua, todo esburacado de balas, enquanto o corpo da vítima tinha marcas de projéteis até mesmo no pé esquerdo, dando claros sinais de que houve perseguição e resistência antes do fim.
Já o corpo de Gago apresentava um destino um pouco mais cruel. Como apenas o comparsa tinha arma, restou a ele correr quando a moto tombou. Correu enquanto recebia tiros, até que o corpo tombou sobre o mato raso de um lugar que no futuro será um campo de futebol. O braço esquerdo já endurecido sobre o rosto, em volta de vários pedaços de paus quebrados, eram o retrato de quem ainda apanhou brutalmente depois de não conseguir mais correr e finalmente tombar.
Do local do crime os exterminadores ainda levaram os celulares roubados e a arma com a qual Crico tentou resistir. Era o fim de uma parceria que envolvia um misto de fraternidade e marginalidade.
Até a surpresa que Cristinaldo levaria para os filhos (se é que levaria mesmo algo) teria sido levada. Compareceram ao local o motopatrulhamentopolicialcomposto pelos soldados Castelo Branco e Elizeu, além da diligência sob o comando do capitão Barros, ambos do 21º BPM, 22ª AISP. O caso será investigado pela Delegacia de Polícia de Decouville, integrada à Seccional de Marituba.
(Diário do Pará)
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