Foi concedida na tarde de ontem, entrevista coletiva na qual foram divulgados detalhes da operação “Montepio”, realizada pela Delegacia de Repressão a Crimes Tecnológicos (DRCT) do Pará em Praia Grande, litoral sul do estado de São Paulo. Sete pessoas foram presas, suspeitas de fazerem parte de uma quadrilha especializada em aplicar golpes, principalmente contra magistrados de todo o Brasil, a partir de coleta de dados ilegais conseguidas supostamente através da internet. Conversaram com a imprensa a delegada da DRCT, Beatriz Silveira, o presidente da Associação dos Magistrados do Pará (Amepa), juíz Heyder Ferreira e o delegado geral da Polícia Civil, Nilton Atayde.
Segundo informações da delegada Beatriz, o grupo atuava pelo menos desde 2011 em todos os Estados da federação, mas a Polícia Civil do Pará foi a primeira a chegar até a quadrilha, que atuava enviando correspondências contendo timbres de autarquias ou grandes escritórios de advocacia, dizendo basicamente que a partir do pagamento de uma taxa era possível receber a reposição de pagamentos de previdências complementares.
Por exemplo, um depósito de R$ 30 mil renderia à vítima a quantia de cerca de R$ 200 mil. O golpe era tão bem aplicado que mesmo direcionado a juízes, promotores, militares e demais profissões de pessoas com amplo conhecimento de leis, muitas chegaram a perder dinheiro. Uma professora paraense, por exemplo, chegou a depositar R$ 90 mil numa das várias contas criadas pelo bando.
Com as sete pessoas, foram apreendidos quatro CDs que continham dados como o número de documentos, profissão, salário, endereço, telefone, e até e-mails das prováveis vítimas. Segundo os presos, as mídias teram sido conseguidas em uma feira, que poderiam ser compradas por qualquer pessoa que se interessasse e que tivesse como pagar pelas planilhas.
Foi a partir do momento que a presidente do Tribunal de Justiça do Pará, desembargadora Raimunda do Carmo Gomes Noronha, recebeu tal correspondência, que as investigações tomaram pé, segundo o delegado geral, Nilton Atayde.
O bando será indiciado por estelionato, falsificação de documentos públicos e privados, lavagem de dinheiro, crime contra a economia popular e formação de quadrilha.
(Diário do Pará)
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