Não existe segurança nenhuma aqui. Trabalhamos somente com a segurança e a fé em Deus”, disse uma vendedora ambulante, que trabalha há mais de vinte anos no local que é palco de inúmeras histórias, inspirações para poesias, aclamado por sua beleza, além de apresentar uma variedade de cores espalhadas em frutas, ervas, temperos, considerado como o principal cartão postal de Belém: O Complexo do Ver-o-Peso. Em contrapartida, a feira também é palco de um triste e lamentável quadro de violência.
Eles chegam bem cedo, antes mesmo do amanhecer e durante uma madrugada desta semana denunciaram ao DIÁRIO a constante sensação de insegurança que precisam conviver enquanto trabalham. Os feirantes e vendedores ambulantes do local relataram a prática de tráfico de drogas, furtos, assaltos, prostituição infantil e até supostos atos de corrupção por parte de alguns policiais militares que fazem ronda na área.
Chegando para mais um dia de trabalho, o vendedor ambulante João Flávio da Costa (nome fictício), contou que sustenta a família com o dinheiro das vendas que faz há mais de vinte anos no local. Ele falou que são constantes os riscos para quem trabalha na feira.
“Corremos muito risco por aqui. São muitos os viciados em drogas, traficantes e assaltantes que circulam por aqui. Se algum feirante ou vendedor ambulante não ficar atento, é furtado. Roubar eles roubam também, mas as principais vítimas são os turistas. Falta policiamento decente aqui. É prostituição infantil, tráfico de drogas, furtos, roubos, tudo quanto é tipo de coisa ‘errada’ acontece”, declarou.
Em um dos quiosques, apoiada no balcão, Raimunda Bastos (nome fictício) declarou que não se sente segura. “Não existe segurança nenhuma aqui. Contamos com o apoio de seguranças particulares que pagamos todos os meses. Mas polícia quase não passa por aqui. Trabalhamos somente com a segurança e a fé em Deus”, declarou.
Enquanto a nossa equipe caminhava pelas dependências da feira, uma discussão entre dois homens quase termina em luta corporal, ou até mesmo poderia acabar em algo pior. O motivo seria a conta da cerveja, que ambos consumiam em um dos quiosques. Dois seguranças particulares da feira, citados pela vendedora acima, foram chamados para irem ao local e conseguiram acalmar os ânimos dos “bebums valentões”.
DENÚNCIAS
Com tanta violência a ação da polícia seria inibida por outro crime grave. Alguns comerciantes denunciaram que alguns policiais militares que trabalham na área do Complexo do Ver-o-Peso receberiam propina de traficantes, para que a prática criminosa não acabe.
Com muito medo de falar e olhando para os lados, temendo que alguém suspeito pudesse estar ouvindo, o feirante José Damasceno (nome fictício), que trabalha há mais de cinquenta anos no local, denunciou a situação para a nossa reportagem.
“Não há policiamento suficiente aqui. Posso dizer que é péssimo o serviço deles. É cheio de usuários de drogas, traficantes e bandidos, mas ninguém faz mais nada. Os policiais militares que vieram e trabalharam da maneira que deveria ser acabaram sendo afastados. O motivo disso foi porque eles atrapalharam a venda de drogas por aqui. Os traficantes pagam propina a alguns deles. Por isso que mesmo com a polícia por perto não nos sentimos seguros”, afirmou.
OUTRO LADO
A Polícia Militar, por meio de sua assessoria de comunicação, informou que o local é atendido pela 1ª Companhia do 2º Batalhão da PM, que faz a cobertura da área com 2 viaturas e estas funcionam 24 horas por dia. Dispõe ainda de 6 motos e mais policiamento a pé ( base movél ).
Diz ainda a nota que “a região é regularmente atendida nas operações específicas da PM e integradas com os demais órgãos do sistema de segurança pública. Para quaisquer eventualidades a população pode acionar os números 190( Ciop), 181 ( disque-denúncia) ou o oficial interativo da Zpol que é o 8182-6598”.
Por fim, o documento informa que, sobre a denúncia, a orientação é o cidadão procurar a “Corregedoria da Polícia Militar, que se localiza na Avenida Nazaré, no complexo da Delegacia Geral da Polícia Civil, ou pelo telefone 3222-8568”. A denúncia, ainda segundo a nota, “já foi repassada para a Zpol da área”.
(Diário do Pará)
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