Ele já estava envolvido com o crime até o pescoço. Mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer. Essa é a lei do tráfico”. As palavras são do irmão de um homem executado com quatro tiros, na tarde do último sábado (17), em uma vila de casas, no bairro da Condor, em Belém.
Segundo familiares da vítima, Paulo Sérgio Navarro do Rosário, 28 anos, conhecido como Paulinho, já tinha várias passagens na polícia pelos crimes de roubo qualificado e tráfico de drogas e por conta disso, vivia sendo ameaçado pelos companheiros do crime.
O homicídio ocorreu no corredor de um conjunto de casas chamado “Vila Barão”, localizado na avenida Alcindo Cacela, próximo a passagem 21 de Abril. De acordo com moradores do local, a vítima foi executada por dois homens que chegaram à vila de bicicleta e efetuaram cinco disparos contra a vítima, que estaria sentada na porta de uma casa. “Foi tudo muito rápido. Os bandidos chegaram e foram logo executando o rapaz, não houve nem tempo dele correr. Por sorte não pegou nenhuma bala na mulher do Paulinho, que estava bem perto dele na hora dos tiros. Mas, o pior de tudo foi que os bandidos fugiram tranquilamente de bicicleta como se nada tivesse acontecido”, revelou uma mulher, que prefere manter o anonimato.
“Apesar de ser meu irmão, eu sei que o Paulinho era ‘barra pesada’ e desde muito cedo escolheu a criminalidade como caminho. Não é de hoje que ele vem sendo ameaçado por bandidos. Não foi por falta de aviso. Eu e a minha mãe cansamos de falar pra ele sair dessa vida errada, mas ele quis continuar nisso. Olha só no que deu. Foi executado por acerto de contas e vai ser mais um na lista de gente morta pelo tráfico de drogas”, comentou o irmão da vítima, enquanto acompanhava o trabalho dos peritos do IML.
Para a polícia, o crime possui todas as características de uma execução por acerto de contas. “A maioria dos tiros foi na cabeça, isso é um indicio claro de execução. Fora isso, como foi comentado por muita gente da vila, inclusive a família da vitima, o rapaz possuía envolvimento no crime, hipótese que só aumenta as chances de mais um crime motivado por acerto de contas”, declarou a delegada Cláudia Renata Guedes, responsável pela equipe da Divisão de Homicídios.
Durante os primeiros levantamentos da polícia no local, moradores denunciaram os altos índices de violência na vila. Segundo uma moradora este já é o segundo homicídio em menos de seis meses. “Aqui na vila está horrível, é gente roubando, vendendo droga, invadindo as nossas casas a qualquer hora do dia e a gente fica refém de tudo isso sem poder fazer nada. Não faz seis meses que mataram um na vila e agora de novo. E o pior à luz do dia, na frente dos moradores e nada é feito para mudar isso”, denunciou a mulher.
O caso foi registrado na Seccional Urbana da Cremação.
(Diário do Pará)
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