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POLÍCIA

Incêndio deixa 13 famílias desabrigadas

Bastaram cerca de 20 intermináveis minutos para que 13 famílias tivessem seus lares completamente destruídos pelo incêndio que engoliu na tarde de ontem duas vilas com 11 kitnets e duas casas, todos de madeira, na avenida João Paulo II, próximo à rotatóri

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Bastaram cerca de 20 intermináveis minutos para que 13 famílias tivessem seus lares completamente destruídos pelo incêndio que engoliu na tarde de ontem duas vilas com 11 kitnets e duas casas, todos de madeira, na avenida João Paulo II, próximo à rotatória da avenida Perimetral, no bairro Curió-Utinga. O fogo teria começado num dos kitnets, e, devido o clima quente e o vento forte, rapidamente duas vilas e duas casas foram consumidas. Muitos moradores prestaram solidariedade, mas a perda foi total para a maioria das casas. Um curto-circuito pode ter sido a causa do incidente.

Desde São Brás era possível ver a fumaça gerada do fogaréu que mobilizou a comunidade ao entorno das casas para prestar toda ajuda possível. O calor insuportável num raio de 300 metros não intimidou moradores que ainda conseguiram salvar alguns móveis e utensílios domésticos. Alguns bens, mesmo depois de retirados das casas ainda continuaram pegando fogo. Houve quem reclamasse de saque, mas, o fato é que dos objetos salvos, a maioria eram de casas que corriam risco de pegar fogo, mas não chegaram a isso graças aos bombeiros.

Segundo testemunhas, a partir de um dos quartos pertencente a menor das vilas, que teria apenas três kitnets, o fogo começou a se expandir e atingiu rapidamente uma casa localizada logo atrás dela, ao mesmo tempo que atingia a outra vila, bem ao lado, que teria oito kitnets e mais a casa dos proprietários. Como tudo era de madeira, o trabalho dos bombeiros foi basicamente impedir que outros imóveis também fossem atingidos, pois quando o combate às chamas se intensificou treze famílias já estavam sem lar.

Depois da avaliação preliminar dos bombeiros, levantou-se a hipótese de que um curto-circuito teria começado no kitnet, no momento em que não havia ninguém em casa, e, quando os moradores se deram conta do fogo, mal puderam salvar as próprias vidas. Esteve no comando da operação que cuidou do fogo o major Cristian, do corpo de Bombeiros. Várias viaturas policiais davam apoio para evitar saques, do1º BPM, 2ª CIA, sob o comando do sargento Ferreira. Ninguém saiu ferido

SOBRE FIM E RECOMEÇOS

“Eu não sei ainda como estou assim tão calma”, dizia J, que é filha de dona Nair, a proprietária da maior das vilas. Mas ela foi logo interrompida por um abraço apertado de uma amiga que, com o rosto encharcado de lágrimas e a voz vacilante dizia não acreditar que isso tinha acontecido com aquela família que ela amava tanto. “Ela está chorando por nós”, comentou J, aparentemente querendo justificar o desespero da amiga. Segundo ela, em meio ao desespero ainda foi possível salvar o carro da família. “Não sei até agora como eu consegui ligar o carro, desesperada do jeito que eu estava. Ainda bem que nós somos uma família abençoada por Deus”, louvou, em meio ao caos que a arrodeava.

Por todo lado era possível ver gente curiosa, mas também muita gente suada querendo ajudar. Quando o carro-pipa dos bombeiros chegou, verdadeiros bombeiros civis se prontificaram a engatar a rede de mangueiras e auxiliar os servidores para agilizar o combate às chamas. É que algumas casas de madeira estavam ao redor do incêndio, e as mesmas pessoas que colaboraram para retirar geladeiras, fogões e tudo de valor das casas, agora agiam para impedir que a tragédia material fosse maior. Graças a eles, muitas casas puderam ser salvas, mas não foi o caso do lar de Anderson Gonçalves, 27 anos, que estava trabalhando quando o incêndio começou, e saiu do posto apenas para ver o tamanho do estrago. “Eu perdi tudo. Mas ainda bem que a minha mãe e a minha irmã não estavam em casa. O que eu perdi, depois, com a graça de Deus, eu recupero”, comentou Anderson.

Assim como ele, muitos moradores que estavam trabalhando chegaram, depois do trabalho, apenas para tentar juntar o que sobrou e ir para a casa de algum parente. Sorte maior teve o vigilante Juvenal dos Santos, 57 anos. A casa dele, também de madeira, seria a próxima a ser atingida caso o fogo não fosse controlado. “Apareceu gente que eu nem conhecia pra ajudar. Graças a Deus o meu filho e a minha esposa estão bem”, comentou o vigilante, quase sem segurar o choro. Atrás dele, a casa esvaziada, e diante dele, alguns brinquedos do filhos sobre a calçada, sem que ninguém ligasse pra eles, e mais a frente, móveis e eletrodomésticos salvos pela solidariedade alheia.

(Diário do Pará)

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