Um acidente provocado por dois carros causou a morte do mototaxista Denyus Amador Oliveira, de 19 anos, durante a manhã de ontem (23), na avenida Centenário, em Belém. Diante da tragédia, moradores daquela área realizaram vários protestos no local.
DESRESPEITO
Um motorista que vinha logo atrás dos carros envolvidos no acidente contou que um dos carros que vinha na terceira faixa da avenida Centenário chegou a diminuir a velocidade por causa da existência de uma faixa de pedestre, mas o motorista de um Fiat Bravo de cor amarela seguiu normalmente.
“O carro da primeira faixa não parou e eu também resolvi seguir, foi nessa hora que o motorista do [carro] Santa Fé cortou a avenida. Eu tentei frear, mas não deu tempo”, contou o motorista, que não quis se identificar e estava na Seccional da Marambaia para prestar depoimento. Ele também afirmou não estar em alta velocidade.
O ACIDENTE
O outro carro, um Hyundai Santa Fé de cor preta, vinha na avenida Major Seda, transversal à Centenário, quando atingiu a lateral do Fiat Bravo e provocou o capotamento deste. Segundo testemunhas, o carro chegou a girar no ar antes de atingir o mototaxista.
OUTRA VÍTIMA
Após matar Denyous, o Fiat Bravo ainda atingiu Andreza Machado, de 28 anos, que estava em uma parada no cruzamento das duas vias. Socorrida pelo Samu, o quadro dela é estável, assim como o do motorista do carro Santa Fé.
PROTESTO
Em meio aos protestos, uma das pessoas que estava no local atirou uma pedra em direção aos carros da Rotam. A polícia revidou com balas de borracha na direção onde estavam os colegas de trabalho de Denyus e os familiares dele. A partir disto, a confusão foi maior ainda e a passagem de carros ficou completamente impedida.
REVOLTA
Por volta das 16h, os moradores do bairro do Bengui ainda se concentravam às margens da avenida Independência, indignados com a insegurança vivida por causa da via. Com a faixa de pedestre quase apagada e sem que os motoristas respeitassem os pedestres, os moradores eram contidos por vários policiais militares.
“Como vocês podem ver, aqui nós não temos o direito nem de atravessar a rua. Os motoristas não nos respeitam e as autoridades só nos enxergam quando alguém morre e protestamos. Queremos alguma atitude dos governos”, esbravejava o mecânico Raimundo Silva.
No local, a Polícia Militar e agentes da Companhia de Transportes de Belém (CTBel) tentavam controlar o trânsito e os ânimos exaltados. Por pouco, vários carros não foram quebrados pelos moradores que se revoltavam. “Multa ela. Tá vendo que nem na frente de vocês ela tá respeitando a faixa de pedestre?”, brigava a estudante Carolina Lima. A jovem se referia a uma mulher que, assustada, acabou parando seu veiculo em cima da faixa de pedestres, dificultando a passagem das pessoas.
REBOQUE
No final da tarde, o trânsito no local foi parcialmente interditado para a retirada do veículo que ainda estava sobre a calçada. O veículo será periciado e o laudo será anexado ao inquérito que será apurado pela Seccional Urbana da Marambaia.
CTBel vai implantar semáforo em 20 dias
Denyus Oliveira era conhecido dos moradores como um rapaz trabalhador e amigo de todos. Deixou mulher e filho, além dos pais e um irmão que estavam inconsoláveis. Alguns pneus foram queimados e antes disso, colegas do mototaxista fizeram um ‘buzinaço’ e fecharam a via com suas próprias motos.
“Nós só vamos sair daqui quando pelo menos uma autoridade resolver aparecer. Isso aqui não é uma brincadeira. A associação dos moradores do Catalina quer uma audiência com prefeito eleito ou seja quem for, para resolver a situação”, afirmou Joarez da Costa Tavares, 51 anos, também mototaxista.
“O sentimento é de tristeza e revolta. A gente já entrou com vários ofícios pedindo uma solução para a nossa comunidade. Tem acidente o tempo todo, o Detran vem aqui para fazer estudo, a gente está cansado de tanto estudo, o que a gente precisa é de uma solução”, desabafou Marcelo Oliveira, irmão da vítima fatal. Segundo ele há radares na avenida que nunca foram postos em funcionamento e os guardas de trânsito só aparecem quando há acidentes. O fluxo de carros só foi permitido pelos moradores por volta das 16h, ainda assim, um grande engarrafamento permaneceu por cerca de uma hora.
SEMÁFORO
Representante da CTBel compareceu ao local da tragédia e se comprometeu que um semáforo será instalado no local dentro de 20 dias e que outras providências serão tomadas para dar mais segurança naquela avenida.
(Diário do Pará)
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