Implantado na década de 1980, o Distrito Industrial de Ananindeua ocupa uma área total de 457,48 hectares com atividades industriais nas áreas de alimentos, bebidas, vestuário, calçados, couro, minerais não-metálicos, papel, têxtil, fumo, mecânica, transportes, borracha, química, farmacêutico, plásticos, perfumaria e madeira. Mas, hoje, os empresários vivem uma nova realidade. Empresas estão sob o signo do medo motivado pela violência que chegou à área industrial.
Os industriais contabilizam dezenas de boletins de ocorrências registrados na Polícia Civil detalhando assaltos, roubos, baleamento e invasão de propriedades por quadrilhas organizadas, que se aproveitam do parco policiamento para impor o terror, tanto aos empresários quanto aos trabalhadores do parque industrial.
A convite de um empresário que foi baleado há dois meses, quando saía da empresa naquele local, o DIÁRIO teve acesso às rotas por onde as quadrilhas atacam. Também visitou estabelecimentos que tiveram que montar verdadeiras fortalezas de segurança máxima, com muros altos, cercas elétricas, monitoramento de câmeras e guaritas com seguranças, e mesmo assim ainda são alvos dos assaltos frequentes. Na área, que hoje conta com 62 empresas em funcionamento, muitos fornecedores já se recusam a fazer entregas, garante Haroldo Sousa, secretário da Associação das Empresas do Distrito Industrial de Ananindeua.
FRAGILIDADE
Em 2009, para combater a violência e revitalizar as zonas distritais do Pará, o governo do Estado publicou edital para as obras de reestruturação do Distrito, com investimento superior a R$ 6 milhões, que previa a pavimentação de sete quilômetros de vias, construção de ciclovia e faixa de pedestre. Ainda dentro deste planejamento, o governo previa projeto de iluminação pública e a construção de uma guarita para abrigar a Polícia Militar. “O asfalto chegou, mas a iluminação não foi realizada. Tivemos que instalar refletores nos pontos críticos perto das nossas empresas”, informou Genilson Dias.
Uma viatura da Polícia Militar faz rondas na área. Entretanto, os assaltantes aproveitam para atacar na hora da troca de turno dos policiais, geralmente entre 18h e 19h. “Eles surgiram daquele matagal. Eram quatro, todos armados de revólveres e pistolas. Quando a minha esposa, que estava dirigindo, viu a ação, arrancou com o carro e eles atiraram. Uma das balas me acertou no abdômen”, lamentou Genilson, que tem uma empresa do ramo de alimentos.
A reportagem sentiu de perto o medo e a insegurança na área. Quando o DIÁRIO esteve registrando o local que os assaltantes usam como rota de entrada e saída, dois empresários que chegavam de carro em suas empresas fugiram pensando que se tratava de mais um assalto. Segundo o secretário da Associação dos Empresários, Haroldo Sousa, depois das obras de revitalização nada foi feito para o combate da violência. “Agora o governo do Estado está construindo uma Unidade Integrada do Propaz aqui e esperamos que esta situação tenha um fim”, avalia Haroldo Sousa.
(Diário do Pará)
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