A mistura de um posto de gasolina com música, bebidas alcoólicas, carros “tunados”, som automotivo potente e intensidade acima do normal provoca um transtorno para quem quer descanso e uma noite bem dormida. Ao contrário dos “badalados”, os finais de semana de pessoas que moram perto de um destes “points” de diversão passam longe da satisfação.
A maioria dos postos de gasolina já não serve somente para abastecer os veículos com combustível. Atualmente, durante os finais de semana, principalmente à noite e entrando pela madrugada, a última coisa que a maioria dos carros que estacionam em alguns postos faz é encher o tanque.
Localizado no bairro da Marambaia, em Belém, pode ser visto um desses postos, onde dezenas de carros, que não estão lá para abastecer, compõem um cenário de agitação com dezenas de pessoas e muito barulho.
UMA BOMBA
A menos de vinte metros desta fusão de itens encontrados dentro de uma boate estão moradores desesperados por um final de semana de “paz auditiva”. Um militar aposentado, que pediu sigilo quanto à identificação, declarou que não aguenta mais tanto barulho todos os finais de semana.
“Sinceramente, se eu pudesse, eu jogaria uma bomba neste posto, para acabar com tanta algazarra! É triste porque a gente não consegue dormir em paz de quinta-feira até domingo. São carros com aparelhos de som muito altos. É só barulho e mais
barulho. A gente chama a polícia, mas ninguém faz nada”, falou.
Uma senhora aposentada, de 57 anos, que mora há 56 anos próximo do posto, solicitou que não tivesse o nome revelado e contou para a nossa equipe que já tentou fazer de tudo, mas nada adianta.
“É uma falta de respeito. Já houve um tempo em que estas festas diminuíram, mas nos últimos dois meses pioraram bastante. São todos os finais de semana, de quinta a domingo, e vai até tarde da madrugada. Já denunciamos à Dema (Delegacia Especializada em Meio Ambiente), mas nada foi feito. Temos vizinhos que têm crianças de colo e simplesmente não conseguem ter paz”, disse.
Curtição e volume alto
Nossa equipe tentou conversar com o gerente do posto, mas ele não foi localizado para falar sobre o assunto. Mas no meio de tanto carros, equipamentos de som, pessoas bem vestidas, o DIÁRIO conversou com alguns dos festeiros. Um militar, de 21 anos, que preferiu não ser identificado, falou o motivo que o leva para se deslocar com seu carro para um posto de gasolina e ficar no meio da festa.
“A gente vem para o posto para curtir. A gente traz umas mulheres, ouvi música, consome bebidas alcoólicas e aproveita. Quando o som está alto a gente baixa o volume por causa dos moradores, que as vezes reclamam do barulho”, falou. Encostado ao lado de um conjunto de luzes e caixas de som embutidos em um porta-malas, um motorista, 28, que não quis se identificar, falou que apesar da potência do som, respeita o descanso dos moradores próximos.
“Eu deixo o volume em um nível razoável porque muitas vezes os moradores chamam a polícia, para virem até aqui. Eu sempre venho aqui nas quintas, sextas e sábados, para curtir”, declarou. Se não bastasse um, outros postos de gasolina podem ser facilmente citados como ponto de verdadeiras festas como um localizado na Avenida Visconde de Souza Franco outro na Avenida Governador José Malcher e mais um, no bairro do Marco, entre outros, que ao redor existem pessoas que gostariam de um final de semana de silêncio.
(Diário do Pará)
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