Correria. Gritos. Seis disparos e um corpo no chão. Foi dessa forma que os moradores do bairro do Jurunas descreveram os minutos que antecederam a morte do jovem Michel Maciel de Carvalho, 24, ocorrida na madrugada de ontem, na esquina da passagem Dr. Veiga com rua Honório José dos Santos. Local considerado como “área vermelha” pela polícia. De acordo com testemunhas, a vítima estava na companhia de mais três homens, quando parou em frente a uma casa na passagem Dr. Veiga e pediu água para uma vizinha. “Mas no momento que a mulher foi dar a água, ela só ouviu ‘É agora, mata ele’. E nisso, o Michel saiu correndo e foi baleado com vários tiros, logo depois”, revelou a irmã do jovem.
Apesar de vizinhos terem afirmado que escutaram seis disparos, a perícia detectou que a vítima foi morta com dois tiros, todos na região do abdômen. “Conforme relatos colhidos na área, o Michel ainda chegou a ser socorrido por um grupo de evangélicos que fazia vigília numa igreja próxima ao local do crime. Os evangélicos ainda chegaram a carrega-lo até a esquina da Travessa Quintino Bocaiuva com rua Roberto Camelier, mas ele não resistiu e acabou morrendo assim que chegou a esquina”, explicou o cabo Moraes, da 2ª Cia do 20º Batalhão da PM.
Vizinhos e familiares do jovem afirmaram que ele era acostumado a consumir entorpecentes e bebida alcoólica diariamente pelas ruas do bairro e que a causa da morte pode está ligada ao envolvimento dele com as drogas. “O meu irmão era viciado sim, isso todo mundo da rua sabia. Inclusive ele já foi preso acusado de um roubo aí, mas no fundo era boa gente. Não era de mexer com ninguém. Consumia o ‘bagulho’ dele, mas de boa. Pena que acabou se metendo com traficante barra pesada que não perdoa divida de droga”, afirmou a irmã, que pediu para não ter o nome divulgado.
Policias civis da Seccional Urbana da Cremação e da Divisão de Homicídios estiveram no local. De acordo com o delegado Glauco Valetim, responsável pela equipe de investigadores da DH, o crime tem todas as características de uma execução por ‘acerto de contas’. “Certeza mesmo a gente só vai ter com o final das investigações, mas por todas as circunstâncias, tudo leva a crer em execução por divida com o tráfico. A própria família confirmou que o rapaz era viciado, já teve passagem na polícia e vivia perambulando pelas ruas à noite, consumido entorpecente. Provavelmente comprou droga não tinha dinheiro para pagar e acabou pagando com a própria vida”, ressaltou Valetim.
Nenhum dos três homens que, segundo os moradores, estariam na companhia da vítima antes do crime não foi encontrados pela polícia para falar sobre o caso. “É possível que o executor do homicídio seja até um dos colegas do vício que estava com Michel minutos antes dos disparos. Mas isso, só será respondido a partir das nossas investigações”, declarou o delegado. O caso foi registrado na Seccional da Cremação.
(Diário do Pará)
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