Gosto muito da minha profissão, mas é muito perigoso. A gente trabalha sentindo medo. Já penso em abandonar porque o risco é muito grande”, disse o taxista Miguel Saraiva, 37, dezoito de profissão, vítima de quatro assaltos. Ele leva no corpo a cicatriz de um tiro no estômago disparado durante um assalto. Além disso, carrega a dor de ter perdido o pai, que tinha a mesma profissão, e acabou morto durante um sequestro há três anos, no Curuçambá, em Ananindeua.
Luminosos acesos e durante a madrugada, estes profissionais correm altos riscos de serem vítimas de assaltos por criminosos que se passam por passageiros, ou mesmo no momento em que deixam seus clientes em seus destinos. O medo, a precaução e a sorte de voltar para casa com o seu veículo de trabalho, e o dinheiro para manter as despesas de suas famílias, fazem parte do cotidiano dos taxistas.
São inúmeros os casos registrados que taxistas foram alvos de assaltantes. Enquanto uns têm o veículo usado para fuga de roubos cometidos pela cidade, outros são as próprias vítimas dos criminosos. O DIÁRIO conversou com alguns taxistas e eles relataram como é a sensação de sair para trabalhar e ter que conviver todos os dias com a sensação de medo.
TRAUMA DE FAMÍLIA
Miguel Saraiva trabalha à noite em uma cooperativa localizada no Conjunto Cidade Nova 8, em Ananindeua. Ele conta como evita correr o risco de ser alvo de assalto. “Eu não levo pessoas suspeitas, ainda mais quando é para lugares perigosos como Distrito Industrial, Águas Lindas, Icuí-Guajará e Curuçambá. Se eu vejo dois ‘caras estranhos’ fazendo sinal na rua, eu não paro. Assim como suspeitos aqui no ponto, eu digo que estou esperando um cliente”, falou.
O taxista contou que em um dos assaltos em que foi vítima, considerado como o mais grave, foi atingido com um tiro no abdômen. “Já fui assaltado quatro vezes, mas o pior foi quando levei um tiro no estômago. O bandido estava com a arma apontada para a minha barriga e atirou. Fui socorrido e sobrevivi. Gosto muito da minha profissão, mas é bastante perigoso. A gente trabalha sentindo medo. Já penso em abandonar porque o risco é muito grande”, declarou.
A cicatriz está em seu corpo, mas a pior foi a perda do pai há três anos. “Meu pai era taxista e morreu enquanto trabalhava. Foi uma corrida que ele fez e foi assaltado. A polícia apareceu e ele bateu em um poste. Um dos bandidos disparou nele e meu pai acabou morrendo. Desde que meu pai morreu, não levo duas pessoas no meu carro, de jeito nenhum”, disse.
(Diário do Pará)
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