Entre as ocorrências registradas durante o plantão do delegado Jorge Gilson Carneiro consta a prisão de um umbandista Bernardo de Sousa Araújo.
Ele foi flagrado pela guarnição do cabo Edson Rodrigues, soldados Casabranca e Jeremias quando derramava cera quente de vela em uma criança de apenas nove anos. O ritual, que para muitos se assemelha à bruxaria, ou magia negra, acontecia na casa dele, na rua Amazonas, bairro Jardim União na noite da última quinta-feira (6).
Segundo o cabo Edson, a criança estava de joelhos, dentro de um circulo com setas que apontavam para o lado de fora, o acusado estava sentado numa cadeira e deixava os pingos quentes caírem em cima da criança.
Aos prantos e aos berros a criança pedia para que ele parasse, contudo o “curandeiro” se negava. Vendo o sofrimento da criança os policiais entraram na casa, resgataram a menor e prenderam o acusado.
O detalhe não menos dramático é que a mãe da criança não só permitiu como, assistia a tudo inerte e, com outra criança no colo que aguardava para receber a mesma “tortura” em nome de uma suposta sessão de curandeirismo.
Conduzido até a 21ª Seccional Urbana da Nova Marabá o acusado xingou os repórteres, disse que estava fazendo um tratamento espiritual na criança.
Negou que fosse algum ritual de bruxaria, ou magia negra. “É o meu trabalho, faço isso direto”, comentou para em seguida tripudiar dos repórteres e dos policiais.
De certo é que esta prisão rendeu até mesmo uma “oração” por parte de um repórter policial que fez uma “sessão de descarrego” na cabeça do acusado que estava visivelmente alterado.
LIBERARAM O HOMEM - Após promover um espetáculo tenebroso, o acusado foi ouvido pelo delegado Jorge Gilson Carneiro e solto em seguida, já que a criança fora até a casa dele com autorização da mãe da menor. Ele deve responder na Justiça a um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).
Esta não é a primeira vez que o acusado se encalacra com a Justiça. Ele ficou preso durante dois anos e seis meses no Crama por conta de ter estuprado uma criança, e mesmo assim ainda há incautos pais que levam os filhos para receberem “tratamento espiritual” com o acusado.
(Diário do Pará)
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