O promotor de justiça militar Armando Brasil deve enviar hoje à Corregedoria da Polícia Militar do Pará, a ordem para a instauração de um conselho disciplinar que deve apurar a responsabilidade do cabo PM Marcelo Barreto no atropelamento que matou a autônoma Euzarina Valadares da Silva, 60 anos, no último sábado, na ilha de Outeiro. Se ficar comprovado que o militar dirigia embriagado, ele será expulso da corporação.
“O que eu vou determinar é a abertura do conselho de disciplina a fim de averiguar a permanência, ou não, do militar na tropa. Será um tribunal administrativo, a responsabilidade penal será julgada pela justiça comum”, explicou o promotor que, na decisão, levou em conta a Constituição Federal e o Código de Ética e Disciplina da Polícia Militar. “Quando a conduta particular de um militar influencia na vida pública, é necessário investigar. Será mesmo razoável manter um militar que tenha tirado a vida de um cidadão no lugar de garantir-lhe a integridade física? Tudo tem de ser pensado. A comissão é para isso”, esclarece.
De acordo com Armando Brasil, a Comissão que investigará o caso será composta por três oficiais militares, dois tenentes e um capitão. Eles terão de quatro a cinco meses para avaliar provas, ter acesso a exames realizados e ouvir testemunhas. “Se ficar comprovado que ele estava bêbado, ele receberá a punição administrativa máxima que é a expulsão”, sentencia.
Marcelo Barreto permanece preso no presídio Anastácio das Neves, no complexo penitenciário de Americano, em Santa Izabel do Pará, onde para a família da vítima, deve amargar por muitos anos. Os dois filhos, os irmãos e a mãe da autônoma atropelada não se conformam com o fato. “Ele matou uma mulher de bem, que sempre nos ensinou a trabalhar. Não é possível, que o Estado, as autoridades, ninguém veja essa situação. A gente perdeu a nossa mãe, a dor é imensa e a luta agora é para que não se repita com outras pessoas. O policial tinha que proteger não matar a minha mãe”, revolta-se o filho mais velho, Cláudio Valadares da Silva, 40 anos.
Euzarina seguia pela rua Paulo Costa no início da manhã de sábado, quando foi atingida pelo militar que dirigia um Fiat Palio. Com o impacto, a autônoma foi arremessada por trás contra um poste e teve morte instantânea. A família diz que o condutor dirigia em alta velocidade e completamente bêbado. “Ele não se segurava em pé. Deve ter dormido ao volante e, por isso, invadiu a contramão atingindo a minha irmã em cheio. O pior é que os policiais amigos dele ainda estão protegendo. Ninguém esperou perícia para retirar o carro do local do acidente. Está tudo muito estranho, mas nós vamos até o fim em busca de justiça. Esse crime não ficará na impunidade como podem estar querendo”, desabafou o irmão da vítima, Ailton Valadares, que passou os últimos dias colhendo informações que possam servir de prova contra o militar.
“A gente tem vídeo do momento do acidente, temos testemunhas e encontramos um documento negando um habeas corpus para ele, o que nos faz desconfiar que ele deveria estar preso. A pergunta é: ‘Se ele estava preso o que estava fazendo na rua?’. Queremos respostas e justiça”, diz o irmão ao lado do sobrinho. “Também queremos que ele perca a farda. Ele tem que pagar por tudo que fez”, disse o caçula de Euzarina, Cleber Valadares.
(Diário do Pará)
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