Ananindeua e Marabá estão entre os dez municípios brasileiros que apresentam as maiores taxas de homicídios entre adolescentes, segundo o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA). O estudo apontou que três em cada mil jovens morrem assassinados – a maioria vítimas de arma de fogo. Pessoas do sexo masculino e negras são as principais vítimas.
Um dado lamentável que revela que 46% dos jovens brasileiros não chegam aos 19 anos de idade, uma vez que essa é a principal causa de morte nesta faixa etária. A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR) afirma que se não houver políticas públicas eficazes para o combate à violência, em quatro anos, o número de adolescentes mortos por homicídios será maior que 36 mil, em todo Brasil. Ananindeua e Marabá somarão 820 mortes de adolescentes estimadas até 2016.
VIOLÊNCIA
Em 2009, a proporção de adolescentes assassinados era de 2,61 para cada mil jovens. No ano seguinte, em 2010, a média aumentou em 14% e ficou em 2,98 mortes para cada grupo de mil adolescentes. O IHA é uma ferramenta desenvolvida pela SEDH/PR, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) e com Observatório de Favelas.
O IHA também apresenta o município de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, como a quarta cidade brasileira, com mais de 200 mil habitantes, onde mais acontecem homicídios entre adolescentes. Perde apenas para Itabuna (BA), Maceió (AL) e Serra (ES).
A aparente facilidade com que esses moços e moças são mortos é que chama a atenção da comunidade. Em setembro, por exemplo, um adolescente de 17 anos morreu depois de receber um tiro nas costas, enquanto tentava fugir de três homens armados. O caso aconteceu na rua Oswaldo Cruz, no bairro de Águas Lindas, em Ananindeua.
Também nas Águas Lindas uma moça de 16 anos foi morta a facadas por um vizinho que tentou roubar o aparelho de celular da vítima. O acusado, Herlon Paixão da Silva, 26, vulgo “Cabelinho”, invadiu a casa da adolescente, como ela reagiu, ele tentou estuprá-la. Sem sucesso no delito, deferiu diversos golpes de faca nas costas da jovem.
No início deste mês, um rapaz de apenas 15 anos, morador do conjunto Cidade Nova VI, foi executado pelas costas perto de sua casa. De acordo com o relato de testemunhas, ele fazia parte de um grupo de usuários de drogas e já estava ameaçado de morte.
EXPECTATIVA
Estima-se que entre 2010 e 2016 o número de adolescentes mortos em Ananindeua seja de 566. Para Marabá, no sul do Pará, que aparece em décimo lugar na lista de municípios com maior número de homicídios entre jovens, até 2016 o número seria de 254 mortes de pessoas com idade entre 12 e 18 anos.
De acordo com o Ministério da Saúde, o homicídio é a principal causa de morte dos adolescentes. Do total de óbitos nessa faixa etária 45,2% correspondem a extermínio. A média é superior à registrada na população geral que é de 5,1%. Entram para estas estatísticas as mortes em conflito com a polícia, conhecida como auto de resistência.
A pesquisa do IHA foi realizada em 283 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes. O Norte é a segunda região onde os jovens correm mais risco. O índice de adolescentes mortos antes de completar 18 anos ficou em 3,62 para cada grupo de mil adolescentes.
A reportagem solicitou entrevista com o secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernandes (Segup), para que ele comentasse a pesquisa e a violência nos municípios paraenses nos quais os jovens sofrem o maior risco, mas foi informada pela assessoria de imprensa que o titular não concederia entrevista até que estudasse os dados do IHA. Até ontem à tarde, ele ainda desconhecia aos índices revelados.
O contato também foi feito com a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) para que se obtivesse os números da pesquisa referente ao Pará, mas ninguém atendeu as ligações.
(Diário do Pará)
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