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POLÍCIA

Insegurança aterroriza população da grande Belém

"Eu não me sinto seguro”. Esta frase define o que a maioria das pessoas que mora na Região Metropolitana de Belém(RMB), declarou sentir ao precisar conviver ao lado do medo constante de ser vítima da violência. A qualquer momento do dia ou em qualquer lug

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"Eu não me sinto seguro”. Esta frase define o que a maioria das pessoas que mora na Região Metropolitana de Belém(RMB), declarou sentir ao precisar conviver ao lado do medo constante de ser vítima da violência. A qualquer momento do dia ou em qualquer lugar. Pessoas comuns, que moram nestas áreas, trabalham e estudam, alegam não se sentirem seguras. Alguns, nem mesmo com a polícia por perto. A Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) diz que está investindo em um plano estratégico na segurança pública, para amenizar esta sensação.

Nos quatro cantos da Grande Belém e, ao abrir a porta da própria casa, seja ao sair ou ao chegar, cada pessoa já enfrenta o medo de estar sendo um alvo fácil, até mesmo dentro do lar. Olhares atentos, precaução de caminhar em ruas soturnas, passos rápidos e a desconfiança de que a qualquer momento, quando menos se espera, a violência apareça.
“A segurança pública está muito ineficiente. Estamos indefesos em qualquer situação, em qualquer lugar. O policiamento nas ruas é muito fraco. Não me sinto seguro nem mesmo com a polícia por perto”, revelou o vendedor Nonato da Silva, 48, que trabalha na Praça do Operário, bairro de São Brás, em Belém.

Indignado, Nonato declarou que não acredita na polícia. “Já perdi a conta de quantas vezes já fui roubado, mas posso afirmar que já passou de dez vezes. Já levei até tiro, sem ao menos ter reagido a uma saidinha bancária. Registrar boletim de ocorrência não adianta nada. Nada muda e eles não fazem nada por nós. Deveria ter mais investimento na segurança. Eu e a maioria das pessoas que conheço não acreditamos no trabalho da polícia”, afirmou.

POLICIAMENTO

Durante sua jornada de trabalho, atrás das grades, apontada como medida preventiva para evitar assaltos durante a madrugada, o caixa de um estabelecimento comercial, que funciona 24 horas, no Conjunto Cidade Nova 5, em Ananindeua, Pedro Figueiredo, 37, falou que nunca foi assaltado, mas o medo é constante.
“Não me sinto seguro porque acontecem muitos assaltos, mas acredito que os roubos só aumentam quando as viaturas da polícia não passam muito pelas ruas. Só assim os vagabundos ficam quietos. Já tentaram me assaltar aqui no trabalho, mas o ladrão me conhecia e acabou indo embora. Se tivesse um policiamento ostensivo suficiente, com certeza a população se sentiria mais segura”, opinou.

De acordo com dados da Polícia Militar do Estado do Pará (PMPA), a frota, entre viaturas, motocicletas e bases móveis, somando capital e região metropolitana (Belém, Ananindeua, Marituba, Santa Bárbara e Benevides), empregada no policiamento ostensivo é de aproximadamente 450 unidades.

Municípios devem investir mais

A poucas horas do amanhecer e aguardando mais uma corrida, o mototaxista Adamor Silva, 38, morador do município desde quando nasceu, disse que a raiz do problema da sensação de insegurança está na falta de interesse do poder público.
“O poder público precisa resolver esse problema. É isso que a população quer ver e sentir. Esses prefeitos eleitos, que vão assumir ano que vem, devem se preocupar em investir na segurança das pessoas”, declarou.

Adamor contou que já sofreu uma perda na família por conta da violência. “Um ladrão pode nos roubar a qualquer momento, inclusive agora, enquanto seu fotógrafo faz as fotos e você conversa comigo. Já fui roubado e uma viatura da polícia estava perto, mas os policiais não fizeram nada. Nem eu e nem a minha família estamos seguros. Há quatro anos perdi um irmão, que era policial militar, e nada foi feito. Ninguém foi preso”, finalizou.

Em alguns casos, o inconformismo com a falta de segurança é tão grande que a proteção divina é o que resta para algumas pessoas. Vendedora no Distrito de Icoaraci, em Belém, Nilma Gonçalves, 42, afirmou que a insegurança pública poderia ser resolvida.
“O governo do estado é o culpado e deveria tomar providências. Faltam mais viaturas nas ruas e a própria polícia não faz a sua parte. Não adianta ir a seccional porque registrar o caso não resolve o problema. O que nos resta é contar com a segurança que vem lá de cima, de Deus”, assegurou.

PROTEÇÃO

Por volta das 4h, o técnico de enfermagem Silvano Vilar, 40, aguardava um coletivo em uma parada de ônibus, no bairro de São Brás. No outro lado da avenida Almirante Barroso estava um trailer da Polícia Militar, que funciona em plantão de 24 horas, com uma guarnição no local. Silvano, sentado no ponto, declarou que com a polícia por perto sente que há menos chances de ser vítima da violência.
“Eu me sinto inseguro, mas se eu vejo uma viatura da polícia perto de mim, já fico mais tranquilo. Aqui, por exemplo, tem uns policiais no outro lado da rua. Eu já venho ficar aqui justamente por causa deles. Nesta praça (Praça do Operário) tem muitos usuários de drogas e eles cometem assaltos. Acredito no trabalho da polícia, mas acho que faltam mais viaturas nas ruas, fazendo rondas por aí”, sugeriu.

Estado tem um plano estratégico

O titular da Segup, Luiz Fernandes, conversou com a nossa reportagem e explicou que o Governo do Estado está investindo alto em um plano estratégico na Segurança Pública.
“A população sente insegurança porque não conhece o trabalho que está sendo feito pelo governo para melhorar a segurança das pessoas. Estamos trabalhando para que essa sensação de insegurança amenize. Na verdade, as pessoas têm uma sensação de abandono, mas existe uma segurança. O problema é que a população precisa tomar conhecimento disso e deveria saber que estamos operando em novos projetos para a segurança”, falou.

De acordo com o secretário, a população também precisa fazer a sua parte, cooperando com o serviço de combate contra a violência, que segundo ele, vem reduzindo desde 2009.

APELO
“É preciso que a população ajude o nosso trabalho, acredite nele. Se ela não estiver ao nosso lado, fica mais difícil. É um trabalho lento, que não tem resultado imediato, mas estamos realizando desde 2009 e os índices apontam que a criminalidade reduziu, mas obviamente que precisa diminuir mais. Por exemplo, deixando de registrar um boletim de ocorrência a população não nos ajuda a ter conhecimento dos locais onde estão ocorrendo muitos assaltos, para buscar soluções para o problema. A aproximação da polícia com a população é o que gera bons resultados na segurança”, resumiu.

E concluiu: “Eu me sinto seguro na nossa cidade. Até mesmo por um diferencial da população que se diz insegura: eu conheço o trabalho que está sendo feito pela segurança no nosso estado. E se alguém duvida, eu ando sem segurança particular, como qualquer outra pessoa comum”, finalizou.

(Diário do Pará)

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