A fuga registrada no Centro de Recuperação de Marabá (CRM), na madrugada da última segunda-feira custou aos presos pelo menos R$ 4 mil entre pagamento de subornos e compra de ferramentas. A informação foi repassada pelos detentos: Cleber de Almeida Gonçalves e Deivisson Moreira Magalhães. Eles foram recapturados quando estavam dentro de uma van em Dom Eliseu, divisa do Pará com o Maranhão. Os dois acusados não entraram em detalhes de como conseguiram esse dinheiro e nem para quem repassou a quantia, contudo deixaram claro que “tiveram de subornar alguém”. De igual forma não disseram como as serras entraram no cárcere, mas que também têm de pagar para obter as ferramentas.
Os detentos informaram que encostaram um fogão na parede para esquentá-la e em seguida quebraram a parede. Ainda de acordo com os detentos, esse trabalho demorou pelo menos seis meses para ser concluído. Durante esta escavação, os presos se revezavam. Enquanto uns quebravam a parede, outros se encarregavam de vigiar o corredor com um espelho. O trabalho geralmente ocorria à noite, uma vez que eles mesmos confessaram que os agentes prisionais ficam em sua maioria dormindo.
Caso algum deles aparecesse no corredor, automaticamente o trabalho era suspenso. “Foi assim que fizemos, devagar e sempre”, disseram. Quando fugiram, pela parte dos fundos do CRM, eles contaram com apoio externo, uma vez que um carro os aguardava do lado de fora. Deivisson Magalhães contou que ele e o parceiro Cleber Gonçalves foram até Morada Nova de onde seguiram até Dom Eliseu. “Queria ver o meu filho, por isso fugi”, justifica.
Quanto às declarações dos detentos, o diretor do CRM, George Hiroshy Acácio, disse que nem sempre são verdadeiras. “Os presos não falam nesse tipo de situação e quando dizem alguma coisa nem sempre são verdadeiras, portanto é prudente a gente ouvir e não considerar”, comentou. A declaração do diretor tem amparo no que os presos chamam de código de honra, que em linhas gerais, significa dizer que um protege o outro em situações de tensão.
(Diário do Pará)
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