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POLÍCIA

Banho de sangue na madrugada

Um crime com indícios de execução sumária assustou moradores do bairro do Sideral, em Belém. Na madrugada de ontem, três pessoas foram executadas e uma ficou gravemente ferida num episódio marcado por mais uma cena de violência explicita na região metropo

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Um crime com indícios de execução sumária assustou moradores do bairro do Sideral, em Belém. Na madrugada de ontem, três pessoas foram executadas e uma ficou gravemente ferida num episódio marcado por mais uma cena de violência explicita na região metropolitana. Segundo a polícia, Luis Carlos Silvia, vulgo Caroço, 43 anos, Marcos da Luz Fonseca, 26 anos, e Marilene Magalhães, 60 anos, foram mortos com vários tiros de pistola ponto 40 (arma de uso exclusivo da polícia), enquanto conversavam em uma calçada, na rua Esperantista, próximo de um centro de lazer de uma igreja evangélica.

“Foi horrível. Três homens pararam num carro, baixaram o vidro e começam a olhar para gente. Nessa mesma a hora a minha mãe falou ‘Ah, é tu, é?’ e os homens saíram do carro e começaram atirar na nossa frente. Por pouco eu não fui mais uma vítima. Se eu não corresse e me jogasse no mato, certamente eles teriam me matado também”, declarou a filha de Marilene, uma das sobreviventes da chacina.

Além da filha da aposentada, que prefere não se identificar, outra mulher, identificada como Adriane dos Remédios Trindade, 33 anos, conhecida como Baixinha, também sobreviveu ao crime. De acordo com uma testemunha, que prefere não ser identificada, Adriane ficou gravemente ferida e teve que ser socorrida por equipe de resgate do Corpo de Bombeiros. Após os primeiros atendimentos a mulher, foi encaminhada para a emergência do hospital Metropolitano e segundo informações da unidade policial do hospital, não corre mais risco de morte.

O crime chocou moradores do bairro. Segundo os vizinhos nenhuma das vítimas tinha envolvimento com a criminalidade. “Todas essas pessoas que morreram eram muito conhecidas aqui na área e que eu saiba, nenhum deles tinha envolvimento com crime. O que eles faziam de vez em quando era ficar até tarde da noite na frente de casa, conversando ou bebendo, mas tudo na paz. Sem mexer com ninguém”, informou a cunhada de Marcos da Luz.

Segundo ela, o jovem tinha acabado de chegar do município de Marapanim, onde havia passado as férias do trabalho. “O Marcos não mexia com ninguém, isso eu garanto. Ele só estava bebendo aí na rua porque queria se divertir. Ele tinha acabado de chegar de viagem, onde aproveitava as férias. Só deu tempo dele chegar em casa, deixar a bolsa e ir falar com os colegas na rua. Nisso os criminosos chegaram e foram mandando bala, sem dó nem piedade”, revelou a mulher, muito abalada com a situação.

INVESTIGAÇÕES
De acordo com informações da Polícia Militar, o crime foi realizado por três homens que seguiam em um carro modelo Gol, cor verde, que já tinha passado pelo local horas antes do homicídio. “Conforme informações colhidas no local, os criminosos são três homens não identificados que estavam em um Gol verde escuro. Um deles ficou no volante enquanto os dois saíram do veículo e efetuaram os disparos sem se preocupar em esconder o rosto”, afirmou o cabo Leonel, da 4ª Cia do 10º Batalhão da PM.

Ainda segundo o policial, que comandou a viatura 9168, e foi o primeiro a chegar ao local, todas as características dos assassinatos levam a polícia a acreditar em crime por execução sumária. “Uma coisa é certa. Os bandidos chegaram para matar. Tanto que todas as vítimas estão com marcas de tiros na cabeça. Isso, provavelmente, tem a ver com a grande quantidade de pontos de tráficos de drogas que existe no bairro, considerado área vermelha pela polícia. Ou seja, todos os indícios nos levam a acreditar, em mais um crime motivado por acerto de contas. E dessa vez, um crime de grande proporção”, revelou o PM.

Policiais civis da Divisão de Homicídios e peritos do IML também estiveram no local para fazer os primeiros levantamentos do caso. Responsável pela equipe da DH, o delegado Eduardo Rollo não quis falar com a imprensa e evitou que fossem dados detalhes sobre o crime. O caso deve ser investigado pela seccional urbana de Icoaraci em parceria com a Divisão de Homicídios.

(Diário do Pará)

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