De direito, apenas três pessoas conseguiram a autorização para o porte de arma no Pará em 2012. Entretanto, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), só em janeiro do ano passado 207 armas foram apreendidas pela polícia com pessoas que as portavam ilegalmente, de fato. A aquisição de armas (pessoas que podem ter armas, mas não podem sair com ela na rua) foi concedida a 155 pessoas. Mesmo assim é um valor muito baixo se comparado as 2.895 armas apreendidas no Pará de janeiro de 2011 a fevereiro do ano passado.
“Existem armas que entram clandestinas no Estado, existem indústrias alternativas de fabricação de armas, existe o roubo de vigilantes, policiais e outras pessoas que têm o direito ao porte, e existe também aquele policial militar que apreende uma arma e a vende”, informou uma fonte da Polícia Civil, que preferiu não se identificar. Segundo ele, num dado flagrante, no qual foi apresentado relatório pelo policial militar de que havia sido apreendida uma arma calibre 22 com o assassino, a vítima dele comprovadamente fora atingida por uma arma calibre 38. “Como 38 vale mais, o policial certamente fez a troca para vender”, acusou.
Outra fonte, de Igarapé-Miri, amigo de alguns criminosos, afirmou que as armas no interior do Pará, atualmente, são quase relíquias. “Tá muito complicado conseguir arma aqui e em qualquer interior, mano”, afirmou. Na Grande Belém, a prática que se tem adotado para combater a escassez é o aluguel de armas. “Por R$ 100,00 a arma é alugada para o marginal matar ou roubar. Se algum tiro for disparado, o bandido já tem que pagar R$ 200,00 ao locador”, informou a fonte da polícia.
Entretanto, segundo ele os bandidos não possuem o devido treinamento, o que confere boa vantagem à polícia. “O bandido não tem treinamento para andar armado. Por isso que passamos por uma academia antes de ter o direito a uma arma, que é pra aprendermos a usá-la com responsabilidade e eficiência”, explicou, embora ele mesmo tenha reconhecido que há muitos policiais sem o devido preparo. “Isso às vezes é um perigo ainda maior”, preocupou-se.
Outra peça importante que garante que a engrenagem do crime funcione são os armeiros. “Armeiros são aquelas pessoas, que, em geral, são ex-militares. São pessoas que dominam técnicas de manutenção e limpeza, e estão espalhados pelas periferias. Há alguns que até sabem fabricar e modificar armamentos”, afirmou.
EXÉRCITO RESPONDE
A assessoria de comunicação da 8ª Região Militar e 8ª Divisão do Exército afirmou, porém, que somente combatentes com estabilidade têm acesso a armamento. O treinamento que os recrutas recebem é o básico, que se pode aprender em qualquer vídeo na internet. Afirmou também que, prova de que não há tantos “armeiros” assim no mundo do crime é que muitas armas apreendidas pela polícia estão com defeito e, ironicamente, muitas vidas são salvas graças a isso, pois as armas acabam falhando na hora dos disparos. É prática do Exército só permitir a saída do batalhão quando, ao fim do dia, todas as armas são conferidas, por isso, mesmo armas de uso exclusivo das forças armadas apreendidas dificilmente são desviadas do quartel.
(Diário do Pará)
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