Está desaparecida desde a última quinta feira (24/01) a adolescente Paula Jamille Monteiro Alves, de 13 anos. O último lugar onde ela teria sido vista foi na escola onde ela cursava a oitava série, na Escola Estadual Maria Luiza da Costa Rego, localizada no mesmo bairro onde a garota mora, no Benguí. A família acredita que Paula, uma garota meiga e atenciosa, que até hoje não tinha apresentado sinais significativos de rebeldia, teria fugido de casa.
As principais evidências de que Paula teria fugido é que ela teria saído de casa normalmente para ir à escola no dia do desaparecimento, e lá teria recebido uma mochila por parte de duas colegas, provavelmente com roupas. A estudante teria ainda feito o último contato com a família nesse mesmo dia, no qual teria dito apenas que estava em outra cidade e estava bem. Nada mais que isso.
Somente há três dias a adolescente foi à escola sem escolta familiar, isso porque a mãe estava com problemas de saúde. Hoje os amigos dela devem se submeter à quarta avaliação, e a desaparecida sequer tem as notas disponíveis no sistema online da SEDUC para inspecionar uma possível fuga por conta de notas ruins. Uma vez que ela era cobrada para ter bom desempenho, essa é uma das hipóteses trabalhadas.
O caso foi registrado na Delegacia de Polícia do Benguí e foi encaminhado à Divisão de Atendimento ao Adolescente (DATA), onde será ouvida uma das colegas de Paula, suspeita de contribuír com a suposta fuga.
A familia da adolescente pede que qualquer informações sobre o paradeiro de Paula Jamille seja enviada ao celular da tia da garota, Gilvanea Alves, através do telefone (91) 8327-2532.
GERAÇÃO FACEBOOK
Alguns estudiosos do comportamento de adolescentes e jovens, como a pesquisadora Heloísa Buarque de Hollanda, confirmam que a geração atual de adolescentes e jovens não gozam do mesmo ímpeto de gerações - a partir da década de 60 -, que cada vez mais procuravam sair o quanto antes de casa. Atualmente os jovens demoram cada vez mais para sair das asas dos pais. “O caso dessa adolescente, pelos relatos a mim repassados pelo DIÁRIO que conversou com a família, me parece um típico caso em que não havia um diálogo aberto entre os pais e a menina”, analisou uma psicóloga que aceitou opinar, desde que se mantivesse no anonimato.
A psicóloga, acostumada a lidar com adolescentes com comportamento semelhante, afirmou que em muitos casos, quando um adolescente recebe tamanha atenção dos pais, ele acaba se sentindo sufocado. A adolescência é a fase das grandes descobertas, e as vezes os pais não entendem o quanto é necessário se viver essa fase intensamente. “Isso, somado ao fato de que as amizades e os namoros parecem falar mais a língua deles [adolescentes] do que a já barroca linguagem dos pais, acaba provocando medidas extremas assim. É preciso impor limites, não impedi-los dessa descoberta”, argumentou. A recomendação que ela deu foi que, assim que restabelecido o contato entre adolescente e família, que o diálogo seja estimulado, se possível com ajuda profissional.
(Diário do Pará)
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