A maioria dos moradores do bairro do Icuí já vivem no local há mais de 10 anos e convivem com um mal que tem assolado toda a região: a violência. Nas últimas semanas, a população do Icuí tem presenciado todos os tipos de crime. Apenas nessa semana foram registradas cinco mortes, sendo quatro delas desvendadas pela Polícia Civil.
Uma dessas mortes aconteceu na tarde da última quarta-feira (06) e foi seguida de um assalto com refém. A população continua assustada e sem saber para onde fugir. “Moro aqui há 22 anos e já vi de tudo. Apesar de nunca ter sido assaltada, todos os dias sei de noticias de assaltos e outros crimes”, disse uma moradora que preferiu não ser identificada.
Ela assim como muitas outras, não se sente segura de morar no Icuí. “Tô querendo mudar de casa. Não aguento mais essa violência. Não me sinto mais segura aqui. Nesse sábado, houve um tiroteio aqui na praça perto de casa. Eram dois amigos que trocaram tiros. Nem dentro da minha casa tenho segurança”, comentou.
A moradora disse que há quase cinco anos perdeu um filho em um tiroteio na mesma praça. “Ele estava na praça. Era 19h. Não sei se ele tinha envolvimento em alguma coisa, mas como ele estava no local, foi atingido e morreu. Quase todo dia tem tiroteio. É muita insegurança. E eu não quero mais isso. Vou mudar, antes que outro filho morra”.
As pessoas até tentam levar uma vida “normal” e conviver de forma amigável com a vizinhança. Mas nem sempre é possível. Em uma das vias principais do bairro, duas vizinhas estavam sentadas em frente a residência conversando. Mesmo com receio da violência, elas afirmam que tentam viver de forma tranquila. “Quando eu cheguei aqui foi na época das gangues de rua. Isso passou. Mas agora tem coisa bem pior. Os bandidos estão a solta e não temos nenhuma segurança. Mas não dá para viver trancada em casa”, disse uma moradora que já vive no local há 11 anos.
A outra moradora, que já vive no Icuí há 20 anos, acha que a polícia precisa ser mais ativa em relação a criminalidade. “Tem lugares aqui no bairro que a polícia não entra. Por isso a criminalidade fica solta. Acontece muita coisa dentro dessas invasões que a gente fica sabendo, mas a polícia não faz nada por medo ou outra coisa assim”, relatou.
As grades de ferro são itens fundamentais nas casas e mercearias do bairro. Para os moradores, essa é uma forma de tentar inibir a violência. Em toda a região do Icuí formado por invasões, existe apenas dois postos comunitários da Polícia Militar, mas nenhum deles funciona. Os moradores se sentem abandonados pelo poder público e clamam por melhores condições de segurança.
A PM, através de nota, informou que o Icuí está integrado à 18ª Área Integrada de Segurança Púplica (Aisp) e está sob responsabilidade da 2ª Companhia do 6º Batalhão, que faz a cobertura da área com duas viaturas, que funcionam permanentemente durante 24h e duas duplas de motos. A nota ainda diz que o bairro é regularmente atendido nas operações especifícas da PM e integradas com os demais órgãos do sistema de segurança pública.
A PM informou também que não trabalha mais com Pm box e sim com unidades móveis, Postos Avançados de Polícia Comunitária (PAPC) e bases comunitárias, e que no Icuí há duas PAPC e uma base comunitária.
(Diário do Pará)
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