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POLÍCIA

Adolescentes cometeram 1,6 mil crimes em Belém

Aumentou em 30,36% o número de adolescentes em conflito com a lei, nos últimos seis anos, em Belém. Os dados são referentes a um comparativo entre o total de procedimentos feitos pela Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data) nos anos de 2006 e 2012. N

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Aumentou em 30,36% o número de adolescentes em conflito com a lei, nos últimos seis anos, em Belém. Os dados são referentes a um comparativo entre o total de procedimentos feitos pela Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data) nos anos de 2006 e 2012. No primeiro, a Data registrou um quantitativo de 1.245 procedimentos contra adolescentes que cometeram algum tipo de infração. No ano passado, o número foi de 1.623 ocorrências - índices que ainda não foram fechados pela Divisão. Os crimes contra o patrimônio e roubos lideram o ranking de delitos cometidos pelos adolescentes.

Os índices de jovens em espaços socioeducativos também assustam, são 382 adolescentes em regime de internação e semiliberdade, por terem cometido alguma infração. É uma realidade cara, já que cada socioeducando custa R$ 7.000, por mês, para o Estado. Ou seja, o governo gasta quase 27 vezes mais com um adolescente em conflito com a lei que com um estudante da rede pública, que custa R$ 261,18, por mês.

São estatísticas preocupantes que revelam uma triste realidade na sociedade paraense, na qual todos se questionam sobre o futuro de jovens e crianças, que crescem em meio a violência e ao tráfico de drogas e agora, de uma forma ou de outra, passam a fazer parte deste cenário que não está restrito somente à capital.

No último dia 16, por exemplo, um adolescente de 16 anos foi apreendido após ter sido acusado de ter assaltado a casa do ex-prefeito de Quatipuru, nordeste paraense. Com ele, a polícia capturou uma arma de fabricação caseira, munições e diversos aparelhos de telefone celular. O adolescente foi reconhecido por várias vítimas de seus assaltos.

O que a história deste jovem tem em comum as demais registradas na Data é que, primeiramente ele se enquadra na faixa etária que mais dá entrada na Divisão, que é entre 14 e 17 anos de idade. Além disso, as maiores incidências das infrações são de crimes contra o patrimônio.

Na análise feita pelo delegado da Data Fabiano Amazonas, ele considera que a expansão demográfica (aumento da população) nas áreas periféricas de Belém contribuiu para o aumento do número de atos infracionais. Neste sentido, o crescimento do número de menores infratores não foi tão grande, contudo a diferencial está na mudança de comportamento da juventude.

“Se analisarmos bem os números vamos ver um crescimento exponencial na quantidade de procedimento, e nos tipos de procedimentos que são registrados. Antes os principais atos de infração eram de furtos e agora são de roubos e assalto a mão armada”, comentou o delegado.

Questionado sobre o envolvimento dos adolescentes com o tráfico de drogas, Amazonas responde que esta situação corresponde a um pequeno o número de procedimentos que envolvem os jovens com a venda e contrabando de entorpecentes. Todavia, observa-se que boa parte dos roubos ligados a compra de drogas. Apesar da maior quantidade de adolescentes em conflito com a lei terem a idade entre 14 e 17 anos, chama atenção a participação de crianças neste universo de delitos e infrações.

Recentemente, um crime brutal envolvendo um jovem de apenas 13 anos de idade chocou aos moradores do bairro do Mangueirão, em Belém. O menino foi executado a facadas e o corpo desovado numa área de mata fechada. Ele estava com as mãos e os pés amarrados por pedaços de panos e pendurado num tronco. A polícia acredita que o crime está relacionado ao tráfico de drogas.

“Eles não chegam a cursar o sexto ano (antiga 5ª Série) do Ensino Fundamental, não estão estudando e a maioria é do sexo masculino”, identifica Amazonas. Ele explicou que os adolescentes apreendidos são encaminhados para o Ministério Público, onde são ouvidos em uma audiência preliminar e, em seguida, se determina se ele permanece detido e encaminhado para um espaço socioeducativo ou se ganha liberdade.

Atualmente existem quinze unidades de atendimento socioeducativo no Pará, distribuídos em cinco municípios. Juntas elas tem a capacidade para atender 467 menores de idade e estão com 382 socioeducandos, segundo a Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa) - antiga Funcap. Deste total, 69% têm entre 16 e 17 anos de idade.

Longe da escola, matriculados no submundo

A diretora de Assistência Social da Fasepa, Irací de Paula, também reforça que o delito de maior incidência entre os socioeducandos é o roubo e confirma o baixo índice de escolaridade. “Dos 400 adolescentes atendidos pela Fundação, entre janeiro e outubro do ano passado, quase a metade (49,55%) tiveram apenas de um a três anos de escolaridade, antes de entrar no sistema socioeducativo da Fasepa”, frisou a diretora.

Para o delegado Fabiano Amazonas a ausência destes adolescentes na sala de aula é a origem da maior parte dos problemas. “Os jovens que cursam o Ensino Médio, por exemplo, tendem a não delinquir. Eles têm outro pensamento, querem se formar e ter uma carreira. Isto mostra que a educação os ajuda a escolher um bom caminho”, reiterou.

“A gente percebe que os adolescentes infratores pertencem a famílias de baixa renda, uma parte deles vêm de um lar desestruturado e de locais de subculturas delinquentes. Por eles estarem fora da escola ficam sem perspectiva de futuro e isto faz com que eles cometam infrações”, desfechou o delegado.

PERFIL

Em um estudo recente desenvolvido com adolescentes em conflito com a lei e assistidos por espaços socioeducativos, o Instituto Universidade Popular (Unipop) identificou o perfil social deles. Constatou-se que os jovens negros e pardos consistem na maioria dos que estão nestes espaços. De uma maneira geral, as famílias negras são as que possuem o menor número de recursos para arcar com os custos da educação. Além disso, são os que detêm uma das remunerações mais baixas do mercado.

A pesquisa revelou também que, em 2011, 96% dos adolescentes inseridos no sistema socioeducativo eram do sexo masculino e destes, 57% tinham entre 14 e 18 anos de idade. Para piorar a situação, nenhum deles concluiu sequer o Ensino Fundamental. Entre as adolescentes, a faixa etária de 14 a 18 anos representa 61% das menores infratoras em regime socioeducativo.

(Diário do Pará)

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